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Internacional

Israel conduz primeiro ensaio clínico em crianças com autismo

O primeiro ensaio clínico do mundo a testar os efeitos da canábis em crianças e jovens com autismo está a ser levado a cabo em Jerusalém e os resultados preliminares revelam-se muito promissores. Uma equipa de investigação da Unidade de Neuropediatria do Shaare Zedek Medical Center em Jerusalém, liderada pelo médico e investigador Adi Aran, […]

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O primeiro ensaio clínico do mundo a testar os efeitos da canábis em crianças e jovens com autismo está a ser levado a cabo em Jerusalém e os resultados preliminares revelam-se muito promissores.

Uma equipa de investigação da Unidade de Neuropediatria do Shaare Zedek Medical Center em Jerusalém, liderada pelo médico e investigador Adi Aran, está a testar, pela primeira vez no mundo, os efeitos dos canabinóides em crianças e jovens com casos graves de autismo e os primeiros resultados estão a revelar-se bastante promissores, noticiou recentemente o USA Today. O estudo envolve 120 crianças e jovens adultos com idades compreendidas entre os 5 e os 29 anos com casos de autismo de gravidade média a alta. Contactado por e-mail, o investigador confirmou à Cannapress que “o estudo está a decorrer e não teremos resultados finais antes do final de 2018. Terei todo o prazer em discutir o estudo com a Cannapress assim que tivermos resultados”.

Adi Aran nunca experimentou canábis e até há pouco tempo atrás era muito céptico em relação aos seus benefícios. “Muitos pais pediam canábis para as suas crianças. No início eu dizia: ‘Não, não existem dados que suportem a utilização de canábis para o autismo, por isso não a posso administrar.’”, conta o investigador. Mas a sua visão mudou há cerca de um ano atrás, depois de alguns estudos em Israel terem demonstrado que a canábis ajudava crianças com epilepsia, reduzindo drasticamente as convulsões e melhorando ainda o comportamento daquelas que, além da epilepsia, sofriam também de autismo. “A epilepsia afecta cerca de 20 a 30% das crianças autistas”, explicou Aran. Os pedidos dos pais e a acumulação de evidências de crianças autistas que melhoraram com a canábis levou a que Adi Aran testasse a canábis em 70 dos seus pacientes num estudo de observação. Depois de obter alguns resultados positivos avançou com o primeiro ensaio clínico do mundo: “Precisamos de realizar um estudo clínico para que possamos ter dados”, decidiu.

Mas nem tudo foi um mar de rosas. Apesar do interesse das famílias e da comunidade médica, a falta de evidência científica foi o principal obstáculo para avançar com o estudo, contou Adi Aran ao The Times of Israel. “O dilema não foi apenas o nosso dilema. Muitos médicos e investigadores no mundo estão na mesma posição: as famílias pedem porque ouviram falar ou pesquisaram na internet, mas não existem estudos que comprovem a segurança e a eficácia do tratamento”.

Adi Aran confirmou que quase todos os participantes neste estudo tinham sido anteriormente medicados com antipsicóticos, os únicos fármacos que normalmente são receitados a crianças com autismo, e que cerca de metade reagiu de forma negativa, manifestando vários efeitos secundários adversos. Actualmente existem referências empíricas de que o principal composto não psicoactivo da canábis, o canabidiol (CBD), ajuda as crianças de forma mais eficaz do que qualquer outra medicação e sem quaisquer efeitos secundários. Este estudo pioneiro pretende determinar a veracidade dessa hipótese.

O ensaio começou em Janeiro de 2017 e aos 120 participantes estão a ser administradas gotas líquidas de óleo de canábis ou um placebo. “As nossas listas de espera estão cheias. Muitas famílias querem participar e vêm de todas as partes de Israel”, continuou o investigador. “Têm esperança porque ouviram de amigos e de outras famílias que talvez possa funcionar.”

Aran alertou, no entanto, para as conclusões precipitadas sobre a canábis como um tratamento para o autismo, mas disse que muitas crianças mostraram melhorias significativas. “Alguns já não se auto-agridem nem têm acessos de mau humor, outros tornaram-se mais comunicativos e outros foram capazes de voltar às aulas após suspensões por problemas comportamentais”, confirmou.

Tamir Gedo, CEO da Breath of Life Pharma, que fornece o óleo de canábis para este estudo, disse ao USA Today que uma mãe lhe contou o seguinte: “O meu filho fala sem parar, e nunca tinha falado! Tem 12 anos.”

Uma das maiores preocupações, no entanto, é o impacto a longo prazo da administração de canábis em crianças e jovens, disse Sarah Spence, co-directora do Autism Spectrum Center do Hospital Pediátrico de Boston. “É verdade que pode haver perigo para o desenvolvimento cerebral”, afirmou. Mas por outro lado, “os opiáceos e os medicamentos antipsicóticos actualmente prescritos às crianças são mais perigosos. Esta é a única esperança das famílias!”, rematou Tamir Gedo.

O autismo é um distúrbio neurológico que tende a manifestar-se de forma gradual na infância e que persiste durante a adolescência e vida adulta. As perturbações revelam-se essencialmente nas dificuldades de comunicação, de interacção social e em comportamentos repetitivos ou interesses restritos, variando de intensidade consoante os casos e a evolução da doença. Segundo dados recentes da Organização Mundial de Saúde, as perturbações do espectro do autismo afectam uma em cada 160 crianças no mundo, mas de acordo com o Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América o autismo afecta uma em cada 68 crianças nos EUA.

Israel foi um dos primeiros países do mundo a permitir o uso de canábis medicinal, em 1992, e é pioneiro nas investigações e estudos sobre canábis como tratamento médico. Neste momento há mais de 110 estudos clínicos sobre a canábis em curso em Israel, o que torna este país o líder mundial na área. De salientar que duas das três plantações de canábis medicinal já autorizadas em Portugal são geridas por empresas israelitas.
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(Imagem de destaque: Luke Tress, The Times of Israel)

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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