Ciência
Carta aberta desafia investigadores a estudar o impacto do estado metabólico na estabilidade dos receptores CB1
Uma carta aberta dirigida à comunidade científica internacional está a apelar a uma investigação mais aprofundada sobre a forma como o estado metabólico poderá influenciar a estabilidade dos receptores CB1, um dos principais componentes do sistema endocanabinóide (SEC). A iniciativa é liderada por Stefan Broselid, doutorado em Ciências Biomédicas e fundador da plataforma ECS.education, sediada na Suécia.
No documento, Broselid convida investigadores das áreas da biologia endocanabinóide, fisiologia metabólica, neurobiologia, tráfego de receptores e medicina translacional a testar uma hipótese específica: se o estado metabólico pode regular a estabilidade dos receptores CB1 em tecidos sensíveis à insulina através de alterações nos mecanismos de transporte intracelular e degradação dos receptores.
Segundo o autor, vários estudos recentes justificam a exploração desta questão. Entre eles destaca-se um trabalho publicado este ano por Liu e colaboradores, que demonstrou que a insulina aumenta a quantidade de proteína CB1 no fígado através de um mecanismo dependente da via de sinalização ERK, reduzindo a degradação lisossomal dos receptores sem aumentar a expressão genética do receptor CB1.
A carta refere ainda um estudo de 2024 realizado por Bærentzen e colegas, que observou um aumento da ligação aos receptores CB1 no hipocampo de mini-porcos Göttingen após um curto período de consumo excessivo de sacarose, acompanhado por alterações em marcadores sinápticos e na sinalização glutamatérgica.
Para Broselid, estes resultados levantam a possibilidade de que ambientes metabólicos caracterizados por exposição repetida à insulina, excesso nutricional e alterações na sinalização lipídica possam influenciar a regulação dos receptores CB1 para além dos mecanismos genéticos tradicionalmente estudados.
Caso esta hipótese venha a ser confirmada em diferentes tecidos sensíveis à insulina, o investigador sugere que o SEC poderá ser entendido não apenas como um sistema activado por canabinóides endógenos e exógenos, mas também como um sistema adaptativo responsivo à dieta e ao estado metabólico.
A carta propõe duas dimensões complementares para compreender esta regulação. A primeira diz respeito à disponibilidade de substratos, uma vez que a composição dos ácidos gordos na alimentação influencia tanto a arquitectura das membranas celulares como a disponibilidade de moléculas sinalizadoras endocanabinóides. A segunda relaciona-se com a própria regulação dos receptores, sugerindo que hormonas metabólicas como a insulina poderão afectar a abundância, o tráfego intracelular, a estabilidade e a degradação dos receptores CB1.
O autor sublinha, contudo, que a iniciativa não pretende afirmar que a desregulação dos receptores CB1 explique, por si só, as doenças metabólicas, nem que o mecanismo proposto já esteja demonstrado. O objectivo é incentivar a realização de estudos experimentais rigorosos que permitam confirmar ou refutar a hipótese.
“Se for validado, este mecanismo poderá alargar significativamente a compreensão actual da biologia do sistema endocanabinóide. Se não for confirmado, os resultados continuarão a ser valiosos para definir os limites da influência metabólica sobre a regulação dos receptores CB1”, defende Broselid.
A carta já reúne o apoio de vários cientistas internacionais, entre os quais Paul Clayton, Anthony Ferrari, Callie Seaman e Shabnam Sarshar, que subscrevem a importância de investigar esta questão sem assumir conclusões prévias sobre os seus resultados.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.




