Ciência
Canadá investe 24 milhões de dólares em consórcio para estudar a canábis na saúde cerebral
O Governo do Canadá anunciou um investimento de 24 milhões de dólares canadianos (cerca de 15 milhões de euros) para criar o primeiro consórcio nacional dedicado ao estudo da canábis na saúde cerebral. Dez equipas multidisciplinares vão investigar áreas que vão desde o potencial terapêutico da planta aos seus efeitos no desenvolvimento cerebral, sono, gravidez, psicose, epilepsia e perturbação de stress pós-traumático.
O Governo canadiano anunciou, a 12 de Agosto, a criação do Canadian Cannabis and Brain Health Consortium (CCBHC), uma nova estrutura nacional de investigação que pretende aprofundar o conhecimento sobre os efeitos da canábis no cérebro ao longo das diferentes fases da vida.
O investimento de 24 milhões de dólares canadianos será realizado através dos Canadian Institutes of Health Research (CIHR) e permitirá reunir investigadores e instituições de várias regiões do país, criando simultaneamente uma infra-estrutura nacional para harmonizar, agregar e facilitar o acesso a dados provenientes das diferentes províncias e territórios.
A iniciativa surge oito anos depois de o Canadá ter legalizado o uso de canábis para fins não medicinais, em 2018. Segundo os dados divulgados pelo Governo, em 2025 mais de um em cada três adultos canadianos afirmou ter consumido canábis. Apesar de a maioria dos consumidores não registar efeitos adversos graves, as autoridades consideram que continuam por esclarecer questões importantes sobre o impacto do consumo na saúde cerebral, particularmente entre jovens, grávidas, consumidores frequentes e pessoas com maior vulnerabilidade para problemas de saúde mental.
Dez equipas vão estudar diferentes impactos da canábis
O novo consórcio será constituído por dez equipas multidisciplinares, que irão analisar tanto os potenciais benefícios terapêuticos da canábis como os riscos associados ao seu consumo.
Os projectos abrangem áreas tão diversas como exposição à canábis durante a gravidez e primeira infância, desenvolvimento cerebral dos jovens, neurocognição e saúde mental, consumo de produtos com elevada potência de THC em pessoas com psicose, epilepsia, perturbação de stress pós-traumático (PTSD), sono e perturbação por uso de canábis.
Uma das equipas, liderada por James MacKillop, da Universidade McMaster, irá ainda investigar a psilocibina como potencial tratamento para a perturbação por uso de canábis. Já a equipa de Leah Mayo, da Universidade of Calgary, vai estudar a relação entre canábis e sono através de uma coorte representativa da população canadiana e de um ensaio clínico randomizado envolvendo pessoas com PTSD.
Outro projecto, coordenado por Stéphane Potvin, da Universidade de Montréal, vai estudar longitudinalmente os efeitos neurobiológicos do consumo de canábis de elevada potência em pessoas com psicose, incluindo a avaliação de uma intervenção baseada em realidade virtual para a perturbação por uso de canábis.
A utilização não medicinal de canábis por pessoas com epilepsia será investigada pela equipa de Dang Nguyen, também da Universidade de Montréal, enquanto Rachel Rabin, da McGill University, liderará um projecto dedicado aos efeitos do consumo entre jovens e às respectivas trajectórias de neuro-desenvolvimento e clínicas.
Uma infra-estrutura nacional de investigação
Para além dos projectos individuais, o CCBHC pretende resolver um dos problemas recorrentes na investigação sobre canábis: a fragmentação dos dados.
A nova estrutura deverá permitir harmonizar e agregar informação recolhida em diferentes regiões do Canadá e facilitar o seu acesso por investigadores de todo o país. O objectivo é criar um recurso nacional que possa continuar a ser utilizado para investigação durante vários anos e permitir estudos de maior dimensão e comparabilidade.
O programa incluirá ainda populações historicamente pouco representadas na investigação sobre canábis, nomeadamente povos indígenas e pessoas com historial médico raro ou complexo.
A iniciativa foi lançada no âmbito da Integrated Cannabis Research Strategy dos CIHR (Canadian Institutes of Health Research), desenvolvida após a legalização da canábis no Canadá, e procura responder a algumas das lacunas de conhecimento identificadas na revisão legislativa do Cannabis Act, realizada em 2024.
Evidência para orientar cuidados de saúde e políticas públicas
A ministra canadiana da Saúde, Marjorie Michel, salientou que o investimento pretende produzir evidência capaz de melhorar os cuidados de saúde e apoiar futuras decisões políticas.
“Uma boa política de saúde começa com provas sólidas. Este investimento de 24 milhões de dólares reunirá investigadores de todo o país para aprofundar a nossa compreensão de como a canábis afecta a saúde cerebral e gerar conhecimento que ajude a melhorar os cuidados, a fundamentar políticas públicas e a apoiar a saúde dos canadianos”, disse a Ministra.
Patricia Conrod, directora científica do Institute of Neurosciences, Mental Health and Addiction dos CIHR, sublinhou, por sua vez, que a evolução do mercado e dos produtos de canábis exige uma evolução paralela do conhecimento científico.
“À medida que o uso e os produtos derivados da canábis continuam a evoluir, deverá também evoluir a nossa compreensão sobre os seus efeitos na saúde. O Consórcio Canadiano de Canábis e Saúde Cerebral ajudará os investigadores a aprofundar o conhecimento sobre a forma como a canábis afeta a saúde das pessoas em todas as fases da vida, gerando informação que poderá orientar a prevenção, o tratamento e as políticas baseadas em evidências nos próximos anos”, referiu.
Os resultados produzidos pelo consórcio deverão servir não apenas para compreender melhor os riscos associados ao consumo, mas também para avaliar o potencial terapêutico da canábis e apoiar estratégias de prevenção, redução de riscos, prática clínica e políticas públicas baseadas em evidência científica.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.




