Connect with us

Investigação

CBD é um poderoso insecticida biológico contra larvas de mosquitos, revela estudo

Publicado

em

Ouvir este artigo
Foto: D.R.
Reading Time: 3 minutes

Um estudo da Universidade de Ohio revela que as larvas de mosquitos, tanto de estirpes resistentes como susceptíveis a insecticidas, morrem com um extracto de folhas de cânhamo até 48 horas após a exposição. A investigação, liderada por Erick Martinez Rodriguez e Peter Piermarini e publicada na revista ‘Insect’, concluiu que o CBD (canabidiol) presente no extracto de cânhamo foi o principal composto activo responsável por matar as larvas. Esta descoberta é particularmente importante porque sugere uma nova forma, mais eficaz e biológica, de matar mosquitos que podem ser potenciais transmissores de doenças. 

Os mosquitos podem transportar agentes patogénicos responsáveis ​​por doenças como a malária, a dengue e o zika e o problema é que alguns estão a tornar-se resistentes aos insecticidas usados ​​contra eles. Mas os investigadores da Universidade de Ohio podem ter uma solução para este problema.

O estudo, publicado em Julho de 2024 na revista ‘Insect’ e integrante da edição especial ‘Metabolitos Naturais como Agentes de Biocontrolo de Pragas de Insectos’ sugere que os extractos de cânhamo e o CBD são fontes valiosas para o desenvolvimento de biopesticidas para o controlo de mosquitos. Ficou demonstrado que os insectos morrem quando são expostos ao canabidiol (CBD) – um composto químico produzido pelas plantas de canábis. Além disso, o extracto foi letal mesmo em mosquitos que apresentavam resistência genética aos pesticidas convencionais.

“Para mitigar a resistência aos piretróides em mosquitos vectores de agentes patogénicos humanos emergentes e reemergentes, existe uma necessidade urgente de descobrir insecticidas com novos modos de acção. As alternativas naturais, como os extractos derivados de plantas, podem servir como substitutos dos insecticidas sintéticos tradicionais se se revelarem sustentáveis, rentáveis ​​e seguros para os organismos não visados”, explicam os investigadores.

O cânhamo (Cannabis sativa) é uma planta sustentável conhecida por produzir vários metabolitos secundários com propriedades inseticidas, incluindo terpenóides e flavonóides. O objectivo do estudo foi avaliar a actividade larvicida do extracto de folhas de cânhamo em larvas de mosquitos de estirpes de Aedes aegypti aos piretróides-susceptíveis (PS) e aos piretróides-resistentes (PR).

Curvas concentração-resposta para a atividade larvicida de 48 horas de partições de metanol (preto) e hexano (roxo) de extrato de folhas de cânhamo (laranja) contra Ae suscetível a piretróides. aegypti. Os valores são médias ± SEM com base em 12 réplicas de 6 larvas por concentração (1,2, 3,7, 11, 33 e 100 ppm).

Outro objectivo foi identificar quais os componentes do extracto responsáveis ​​por qualquer actividade larvicida observada. “Verificámos que um extracto metanólico de folhas de cânhamo induziu uma actividade larvicida dependente de concentração semelhante contra as estirpes PS (LC50: 4.4 ppm) e PR (LC50: 4.3 ppm) em 48 horas. A partição do extracto foliar entre as fracções metanol e hexano revelou que a actividade larvicida total estava restrita à fracção metanol. A análise desta fracção por cromatografia gasosa – espectrometria de massas e ressonância magnética nuclear mostrou que era dominada pelo canabidiol (CBD)”, refere o estudo.

Os investigadores apenas examinaram as propriedades de uma estirpe de cânhamo, mas sugerem que muitas outras podem ser promissoras para a produção de biopesticidas

Os ensaios larvicidas utilizando CBD autêntico confirmaram que este composto foi o principal responsável pela toxicidade do extracto de folhas de cânhamo contra ambas as estirpes. “Concluímos que os extractos de folhas de cânhamo e o CBD têm potencial para servir como fontes viáveis ​​para o desenvolvimento de novos larvicidas de mosquitos”, afirmam.

“No total, o nosso estudo fornece evidências adicionais que apoiam a noção de que o cânhamo é um recurso potencial valioso para o desenvolvimento de novos inseticidas para controlar mosquitos. Os resultados promissores do presente estudo motivam estudos futuros para avaliar ainda mais os extractos de cânhamo e o CBD como potenciais larvicidas, bem como para determinar os potenciais impactos não-alvo e ambientais da utilização de extractos de cânhamo e CBD como larvicidas. Além disso, estudos futuros deverão avaliar a viabilidade económica da utilização de folhas de cânhamo como fonte de insecticidas. Notavelmente, o cânhamo é uma cultura emergente e facilmente cultivada nos EUA e as suas folhas são frequentemente descartadas. Assim, a disponibilidade de matérias-primas não parece ser um factor limitante como pode ser para outras fontes de biopesticidas”.

Os investigadores realçam ainda que apenas examinaram uma estirpe de cânhamo no presente estudo. “Estão disponíveis inúmeras estirpes de variedades de cânhamo com perfis de metabolitos secundários altamente diversos. Estudos futuros deverão examinar várias estirpes de cânhamo para identificar ingredientes activos adicionais para além do CBD e determinar quais as estirpes que seriam mais eficientes para o cultivo de cânhamo para produção de biopesticidas”, concluem.

Leia o estudo na íntegra aqui:
insects-15-00517

 

____________________________________________________________________________________________________

[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

____________________________________________________________________________________________________

O que fazes com 3€ por mês? Torna-te um dos nossos Patronos! Se acreditas que o Jornalismo independente sobre canábis é necessário, subscreve um dos níveis da nossa conta no Patreon e terás acesso a brindes únicos e conteúdos exclusivos. Se formos muitos, com pouco fazemos a diferença!

+ posts

Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

Publicidade
Apoie o jornalismo independente sobre canábis
O Cannareporter precisa de si para continuar a informar
Se o nosso trabalho o ajuda a manter-se atualizado sobre políticas, ciência e indústria da canábis, considere apoiar com um contributo mensal no Patreon. Cada apoio conta para manter o projeto livre e independente.
Apoiar no Patreon
Pode cancelar o apoio em qualquer altura. Obrigado por fazer parte da nossa comunidade.
Clique aqui para comentar
Subscribe
Notify of

0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Newsletter CannaReporter

Veja o Documentário "Pacientes"

Documentário Pacientes Laura Ramos Ajude-nos a crescer

Mais recentes

Breves4 dias atrás

Suíça: Um ano de acesso regulado à canábis em farmácias não agravou a saúde mental dos consumidores

Um estudo com revisão por pares sobre o projecto-piloto Weed Care, em Basileia, acompanhou durante um ano 374 consumidores regulares...

Breves4 dias atrás

Canadá: Health Canada publica guia para validar métodos de análise de canábis

O Ministério da Saúde do Canadá (Health Canada) publicou a 15 de Setembro uma guia com critérios para validar os...

Breves4 dias atrás

Alemanha: Presidente do governo da Baviera defende imposto sobre canábis à semelhança do álcool e tabaco

Markus Söder, presidente do governo regional da Baviera e líder da CSU, defendeu a criação de um imposto sobre o...

Internacional4 dias atrás

Uruguai: Governo regulamenta uso de derivados de canábis em cosméticos

O Uruguai regulamentou a utilização de derivados de Cannabis sativa L. como matérias-primas em produtos cosméticos, através do Decreto n.º...

Breves6 dias atrás

Dinamarca: Regulador não identificou novas preocupações de segurança com canábis medicinal em 2025

A Agência Dinamarquesa de Medicamentos não encontrou novas preocupações de segurança relacionadas com a canábis medicinal em 2025, apesar de...

Breves6 dias atrás

Islândia: Empresa cultiva cânhamo rico em CBD no Árctico apesar do fotoperíodo extremo

A empresa familiar High Latitude Hemp cultiva cânhamo rico em CBD em Bolungarvík, nos fiordes ocidentais da Islândia, a 66...

Breves6 dias atrás

Alemanha: Ministro da Saúde quer travar abuso na canábis medicinal

O ministro alemão da Saúde, Carsten Linnemann (CDU), afirmou no Congresso de Farmacêuticos, em Munique, que a situação da canábis...

Espanha: Importações de canábis medicinal aceleram e Portugal é o principal fornecedor Espanha: Importações de canábis medicinal aceleram e Portugal é o principal fornecedor
Breves6 dias atrás

Espanha: Importações de canábis medicinal aceleram e Portugal é o principal fornecedor

As importações de canábis medicinal em Espanha estão a aumentar em 2026, com Portugal a liderar como país de origem....

Breves6 dias atrás

EUA: Webinar promovido pela Harris Sliwoski analisa acção da DEA face à reclassificação da canábis

A firma de advogados Harris Sliwoski LLP organiza a 8 de Outubro de 2026 um seminário online gratuito sobre a...

Breves6 dias atrás

EUA: Trulieve firma parceria exclusiva com a Tikun Olam na Florida

A Trulieve anunciou uma parceria exclusiva com a Tikun Olam, empresa de canábis medicinal fundada em Israel, para disponibilizar os...