Cânhamo
EUA isentam de regulamentação duas variedades de cânhamo geneticamente editadas com CRISPR
As autoridades norte-americanas decidiram isentar de regulamentação federal duas novas variedades de cânhamo geneticamente editadas através da tecnologia CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats), abrindo caminho à sua utilização comercial sem as restrições normalmente aplicadas a organismos geneticamente modificados. As variedades em questão, a Badger PMR (Powdery Mildew Resistant) e a Badger Zero (sem canabinóides), foram desenvolvidas pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA. A notícia foi avançada pelo Agroportal, a partir de informações do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a decisão foi tomada após avaliação do Animal and Plant Health Inspection Service (APHIS), que concluiu que estas plantas não apresentam riscos acrescidos para a saúde vegetal quando comparadas com variedades convencionais. Os documentos oficiais podem ser consultados aqui (Badger Zero) e aqui (Badger PMR).
As duas variedades em questão foram desenvolvidas por uma equipa de investigadores da Universidade de Wisconsin–Madison, no âmbito do Wisconsin Crop Innovation Center. Uma delas, conhecida como Badger PMR, foi geneticamente editada para apresentar resistência total ao oídio, uma das doenças fúngicas mais comuns e problemáticas no cultivo de cânhamo. A outra, designada Badger Zero, foi editada para excluir todos os 14 canabinóides testados.
Segundo os investigadores, a edição genética permitiu desativar os genes responsáveis pela produção de THC, garantindo que as plantas permanecem consistentemente abaixo do limite legal de 0,3 % imposto pela legislação federal norte-americana. Este é um dos principais desafios enfrentados pelos produtores de cânhamo, já que valores acima desse limiar obrigam frequentemente à destruição das colheitas.

Num post do LinkedIn, o investigador da Universidade do Wisconsin-Madison, Michael Petersen, clarificou que “as linhas derivadas da variedade Badger PMR demonstraram total resistência ao oídio em testes realizados pelos nossos excelentes colegas da Universidade de Cornell (obrigado, Smart Labs). Actualmente, estão a ser submetidos a multiplicação de sementes e testes adicionais de genótipo/fenótipo”.
No que respeita às linhagens da Badger Zero, escreveu Petersen, estas “são livres de canabinóides e estão a ser cultivadas em larga escala, passando por testes de genótipo/fenótipo e resistência a insectos com os nossos excelentes colegas da CSU (obrigado ao Laboratório Nachappa). Vamos também investigar para onde está a ir todo este excesso de precursores, já que não estamos a produzir canabinóides”, acrescentou.
O que é a tecnologia CRISPR, ainda não aceite na UE?
A tecnologia CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) é uma ferramenta de edição genética que permite aos cientistas alterar o ADN de um organismo de forma precisa, rápida e direccionada. Aplicada ao cânhamo, a tecnologia CRISPR pode tornar-se uma ferramenta poderosa para melhorar a planta sem a modificar de forma ‘artificial’, como acontece nos OGM clássicos.

A tecnologia CRISPR. Imagem gerada por Inteligência Artificial.
Inspirada num mecanismo natural de defesa das bactérias, esta técnica funciona como uma espécie de ‘tesoura molecular’, capaz de cortar ou desactivar genes específicos sem introduzir ADN de outras espécies.
Ao contrário dos organismos geneticamente modificados tradicionais, a edição por CRISPR pode apenas reproduzir alterações que poderiam ocorrer naturalmente ou através de melhoramento convencional, mas de forma mais controlada.
Por essa razão, vários reguladores, incluindo os Estados Unidos, distinguem as culturas editadas por CRISPR dos transgénicos clássicos, avaliando-as caso a caso. Em contraste, na União Europeia, as plantas editadas com CRISPR ainda são legalmente tratadas como OGM, o que limita a sua utilização comercial, apesar de existir um debate em curso para rever essa classificação, sobretudo para as culturas industriais como o cânhamo.
De acordo com informação divulgada pelo Centro de Informação de Biotecnologia, esta decisão regulamentar nos EUA representa um passo significativo para a normalização do uso de culturas geneticamente editadas, distinguindo-as dos organismos transgénicos tradicionais e facilitando a sua entrada no mercado.
A isenção concedida pelo USDA é vista como um sinal positivo para o sector do cânhamo industrial nos Estados Unidos, podendo contribuir para maior estabilidade regulamentar, redução de riscos para os agricultores e aceleração da inovação agrícola baseada em edição genética.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.




