Internacional
Menos mercado negro, menos consumo: estudo suíço reforça eficácia da regulamentação da canábis para uso adulto
A regulamentação do acesso à canábis pode reduzir o mercado ilegal, baixar o consumo e melhorar a segurança dos produtos sem aumentar o uso entre adultos e sem necessidade de reforçar medidas repressivas. Esta é uma das principais conclusões do mais recente relatório do programa piloto Cann-L, que decorreu em Lausanne, na Suíça e acompanhou 1.754 participantes ao longo de 18 meses, para avaliar os efeitos de um modelo legal, controlado e orientado para a saúde pública.
Os dados mostram uma mudança clara no comportamento dos consumidores quando lhes é oferecida uma alternativa legal competitiva. Cerca de 69% dos participantes abandonaram o mercado ilegal, optando por canais regulados que conseguem competir em preço, qualidade e consistência.

O projecto-piloto realizou-se ao longo de 18 meses em Lausanne, na Suíça. Foto: D.R.
A maioria dos participantes reduziu ou manteve a frequência de consumo ao longo do estudo, com 80% a apresentar padrões iguais ou inferiores após 18 meses.
Tanto a frequência como a quantidade consumida diminuíram de forma estatisticamente significativa, com uma redução média de cerca de 0,2 gramas por mês face aos níveis iniciais.
O projecto piloto também contribuiu para afastar os consumidores do mercado ilegal, com cerca de 70% a abastecer-se quase exclusivamente através do circuito regulado, retirando mais de dois milhões de francos suíços ao mercado negro.
Paralelamente, os produtos apresentam níveis mais baixos de THC e maior controlo de qualidade.
Preços mais baixos e redução de danos
No final do período analisado, o preço médio da canábis legal situava-se nos 9,50 francos suíços (cerca de 10 euros) por grama, significativamente abaixo dos 14 francos praticados no mercado ilícito, uma diferença que se traduz numa poupança efectiva de cerca de 32% para o consumidor.
Ao contrário de alguns receios frequentemente associados à legalização, o estudo indicou uma redução do consumo médio. Os participantes diminuíram o consumo mensal em 24%, passando de 15,8 gramas para 12 gramas. Segundo os autores, este efeito está associado não à repressão, mas ao acesso a informação, acompanhamento e produtos mais transparentes.
A componente de redução de riscos incluiu ainda acesso a acompanhamento médico e a promoção de métodos de consumo menos nocivos, como a vaporização e alternativas ao fumo.

Garantia de qualidade, 98% de utilizadores satisfeitos
Outro dado relevante é o elevado grau de satisfação dos utilizadores, que atingiu 98%. A experiência de compra, aliada à confiança na qualidade dos produtos, foi apontada como um dos fatores-chave para a transição para o mercado legal.
A qualidade e segurança dos produtos registaram melhorias significativas. A padronização e os testes laboratoriais resultaram em níveis mais baixos de THC: no caso do haxixe, a potência foi cerca de 45% inferior face ao mercado ilegal. Esta redução está alinhada com estratégias de minimização de danos, uma vez que concentrações mais elevadas de THC estão associadas a maiores probabilidades de efeitos adversos.
O estudo destaca ainda o papel da integração com o sistema de saúde. Um total de 96 participantes procurou aconselhamento médico no âmbito do programa, muitos deles pela primeira vez. Este dado sugere que a normalização do acesso à canábis pode facilitar o diálogo com profissionais de saúde e reduzir barreiras no acompanhamento clínico.

Projecto utilizou software ‘Cannabis Dispensary System’ da Cannavigia
Todos os dados das vendas foram registados e recolhidos através do software Cannavigia CDS (Cannabis Dispensary System). O software foi desenvolvido à medida para este programa pela empresa suíça Vigia AG, em nome do OFSP — Office Fédéral de la Santé Publique, equivalente ao Ministério da Saúde na Suíça.
Os participantes foram identificados através de um código único e encriptado, que ligou os dados de vendas aos dados do questionário. Os dados pessoais não foram armazenados na base de dados de vendas, apenas um código ligou os dados às informações dos questionários de inquérito.
Para a Cannavigia, estes resultados reforçam a importância de modelos regulamentares centrados no utilizador, na transparência e na acessibilidade. Em vez de depender exclusivamente de medidas de repressão, o modelo suíço aponta para uma abordagem baseada na competitividade do mercado legal e na redução de danos como pilares de uma política de canábis mais eficaz.

Luc Richner, fundador e co-CEO da Cannavigia, o software utilizado no projecto
Em declarações ao CannaReporter®, Luc Richner, fundador e co-CEO da Cannavigia, considera que os primeiros resultados dos projetos-piloto de canábis na Suíça são “muito positivos”, destacando os casos de Genebra e Lausanne.
“É uma ótima notícia ver os projectos-piloto, especificamente o de Genebra e o de Lausanne, a terem uma repercussão tão positiva”, afirmou, sublinhando que se trata de modelos altamente controlados. “São projectos específicos, com apenas um ponto de venda governamental, numa abordagem de redução de danos”, explicou.
Apesar destas limitações, Richner reconhece que os dados apontam para resultados encorajadores. “Mesmo com esta barreira para um consumidor normal de canábis, ainda existem resultados positivos e estatísticas positivas”, disse. A Cannavigia tem estado envolvida nestes projectos, acompanhando toda a cadeia de produção e distribuição. “Tivemos o prazer de trabalhar com este tipo de dispensário, propriedade do governo, e aprendemos as complexidades de quando a redução de danos e o vício entram em jogo”, referiu, acrescentando que existem diferenças relevantes entre programas públicos e modelos desenvolvidos por entidades privadas ou cidades.
Um dos pilares destes projectos é o controlo rigoroso do produto. “Todos os consumidores têm um identificador anonimizado nos seus cartões”, explicou o responsável da Cannavigia. “Apoiamos o governo no rastreio da movimentação de cada grama de THC e garantimos que tudo se mantém dentro do limite.”
Luc Richner adiantou ainda que a empresa está a preparar novos conteúdos baseados em dados reais destes ensaios. “Estamos a planear fazer uma série de conteúdos com dados reais sobre estes projectos-piloto nos próximos meses”, afirmou, garantindo que mais informação será partilhada em breve.
O relatório completo do projecto-piloto em Lausanne pode ser lido abaixo na íntegra (em francês).
AS26_CannL_rapport_annuel_2025
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.




