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Pedro Pierro: “A canábis medicinal caminha para uma transversalidade clínica sem precedentes”

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Entre os dias 21 e 23 de Maio, São Paulo recebe mais uma edição da Cannabis Fair e do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, um dos principais encontros dedicados à canábis medicinal na América Latina. O evento reúne profissionais da saúde, investigadores, empresários, associações de pacientes e representantes da indústria para debater os avanços científicos, regulatórios e económicos do sector.

À conversa com o CannaReporter®, o neurocirurgião Pedro Pierro, um dos fundadores e curadores científicos do congresso, fala sobre a evolução do mercado brasileiro da canábis medicinal, os desafios regulatórios, a formação médica e o futuro terapêutico dos canabinoides em diferentes especialidades clínicas.

Pedro Pierro é neurocirurgião com actuação em dor, transtornos de movimento e epilepsia. É membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), da Sociedade Brasileira para Estudos da Dor (SBED), director científico do Sechat e curador do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal.

Integra ainda a Associação Médica Brasileira de Endocanabinologia (AMBCANN) e a Associação Pan-americana de Medicina Canabinoide (APMC). Pierro estuda os benefícios terapêuticos da canábis medicinal desde 2012 e é ainda investigador, educador e palestrante internacional.

Publicou várias obras científicas, incluindo o “Tratado de Dor”, o “Tratado de Neurologia Clínica e Cirúrgica” e o livro “Cannabis Medicinal – Guia de Prescrição do Instituto Anandamida”.

A Cannabis Fair chega este ano à sua quinta edição. Quando o Dr. Pedro olha para a evolução do evento desde a primeira edição até agora, quais foram as maiores transformações que testemunhou no mercado brasileiro da canábis medicinal?

É desafiador sintetizar as maiores transformações, dada a magnitude das mudanças que testemunhamos. Entre os pontos mais marcantes, destaco a expansão multidisciplinar. Na primeira edição, a Odontologia e a Medicina Veterinária ocupavam apenas uma aula dentro da grade médica, pois ainda não havia regulamentação específica para essas áreas. Hoje, ambas possuem regulamentações consolidadas e contamos com grades científicas exclusivas e robustas para cada uma delas no congresso. Outro ponto importante é a maturidade do ecossistema. Inicialmente, o quadro de expositores era composto quase exclusivamente por importadores de produtos terapêuticos. Actualmente, embora esses sigam como parceiros fundamentais, a feira abriga empresas de logística, insumos agrícolas, educação, maquinaria, associações e a indústria farmacêutica. Isso demonstra a capilaridade e o crescimento sólido de todo o mercado brasileiro.

O que é que os participantes podem esperar desta edição da Cannabis Fair e do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, que reúne diferentes áreas da saúde, indústria, tecnologia e agronegócio ligados à canábis?

Tanto no congresso quanto na feira, apresentamos mudanças significativas. De início, estamos de “casa nova”: agora no Transamerica Expo Center. O espaço é mais amplo, oferecendo melhor distribuição e circulação, o que é fundamental para um ambiente propício a novos negócios e oportunidades. O congresso cresceu acompanhando a evolução e as necessidades de cada sector do mercado. A Medicina Humana passou de dois para três dias; o Agronegócio expandiu de um para dois dias; e inauguramos a sala “Quimiofarma”, onde químicos e farmacêuticos discutirão toda a cadeia produtiva. Já as trilhas de Veterinária, Odontologia e Negócios permanecem com um dia dedicado a cada uma.

O Brasil continua a avançar na regulamentação da canábis, embora ainda existam limitações importantes, sobretudo em relação ao cultivo. Que expectativas tem para os próximos anos em termos regulatórios e de acesso dos pacientes?

Essa é uma excelente pergunta. O futuro do cultivo no Brasil é um tema tão complexo e desafiador que se tornou o principal motivador para a expansão da grade de agronegócio nesta edição do congresso. Além disso, fortalecemos nossa parceria técnica com a EMBRAPA, que teve participação activa na construção científica deste debate. Como as discussões mais profundas e os dados mais recentes serão apresentados durante o evento, convido-a a refazer essa pergunta após o dia 23 de Maio, quando terei uma resposta ainda mais precisa e fundamentada sobre esse horizonte.

Como neurocirurgião especializado em dor, epilepsia e transtornos do movimento, de que forma a experiência clínica influenciou a sua visão sobre o potencial terapêutico da canábis medicinal?

Os canabinoides medicinais entraram na minha trajectória, assim como na de diversos colegas, inicialmente através do feedback dos pacientes e, posteriormente, pela via científica. Antes mesmo de prescrever, testemunhei melhoras significativas em quadros clínicos complexos, o que me motivou a aprofundar os estudos até me tornar um prescritor activo. Grande parte do potencial terapêutico da canábis incide directamente sobre patologias da minha especialidade, como a epilepsia refratária, a doença de Parkinson e a dor crónica. Contar com uma ferramenta que oferece um efeito holístico e multimodal, com baixo índice de efeitos adversos, foi um verdadeiro divisor de águas na minha prática médica.

Apesar do crescimento do sector, muitos profissionais de saúde ainda demonstram insegurança na prescrição de canabinoides. Considera que a formação médica no Brasil já acompanha a velocidade de crescimento deste mercado? Que estimativa tem de quantos pacientes existem e quantos médicos já prescrevem no Brasil?

Não tenho dúvidas de que a educação médica ainda não acompanha o crescimento acelerado deste mercado. Embora o sistema endocanabinoide já esteja presente nos principais livros de farmacologia, o assunto ainda é negligenciado na formação académica, embora essa realidade esteja mudando de forma gradual. Quanto aos dados de prescritores no Brasil, os números são divergentes: algumas fontes sugerem 2% e outras 8%, dependendo da metodologia aplicada. Entretanto, o número de médicos prescritores recorrentes é inferior a 5%. Já o volume de pacientes é muito maior do que as estatísticas apresentam. No Brasil, existem três formas de adquirir produtos enriquecidos com canabinoides: farmácias e importação — que são auditáveis — e as associações, que não possuem a mesma obrigatoriedade de controlo, dificultando a precisão de um número real. O facto é que o número de pacientes cresce de forma muito mais acentuada do que o de médicos capacitados.

A dor crónica, a epilepsia e algumas doenças neurológicas continuam entre as áreas mais associadas à prescrição de canábis medicinal. Em que áreas clínicas acredita que veremos os avanços mais significativos nos próximos anos?

Observo um crescimento sólido em diversas áreas, das quais destaco três: a Ginecologia, que abrange desde a gestão de sintomas relacionados ao climatério e à TPM até o tratamento da endometriose; a Medicina Desportiva, sobretudo desde os Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o CBD deixou de ser uma substância proibida, fazendo com que o volume de estudos e artigos científicos na área crescesse exponencialmente; e a Fisiatria, que apresenta avanços significativos, especialmente no controlo da espasticidade e na reabilitação motora. Embora a neurologia e a dor continuem a ser os pilares, a canábis medicinal caminha para uma transversalidade clínica sem precedentes. Paralelamente a esses avanços, acredito que a Psiquiatria e a Geriatria serão as áreas com os saltos mais significativos nos próximos anos, consolidando a planta como uma ferramenta de saúde integral e multidisciplinar.

⁠⁠Como vê o equilíbrio entre o desenvolvimento económico da indústria e a necessidade de manter o foco na segurança e no benefício dos pacientes?

Essa pergunta também só vou conseguir responder depois do dia 23 de Maio. Esse questionamento foi um dos motivos para criar a sala Quimiofarma no nosso congresso. Esse assunto envolve questões tributárias, alfandegárias, éticas entre outros. Quem melhor que químicos, farmacêuticos, empresários, agrónomos, entre outros, para discutir os limites e mecanismos de vigilância, qualidade e para garantir a segurança dos pacientes? Essa discussão irá tratar de toda cadeia produtiva. Estou muito ansioso com esse debate em nosso congresso

Para os profissionais internacionais que acompanham o desenvolvimento da canábis medicinal na América Latina, como vê a situação actual do Brasil e o seu potencial a nível internacional?

Vejo o Brasil com um potencial de crescimento para os próximos anos. Temos um dos mercados de saúde mais consolidados do mundo, temos uma produção científica respeitada, temos uma política pública de uso medicinal da canábis em forte crescimento, temos diversas formas de acesso ao produto, democratizando o seu uso, agências governamentais envolvidas como a ANVISA e a EMBRAPA, que têm credibilidade técnica em todo mundo, e um crescente número de médicos prescritores. Aqui é o lugar da canábis medicinal!

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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