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Economia

Ruanda triplica investimento público em infraestruturas para se tornar potência africana da canábis medicinal

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O governo do Ruanda anunciou que o investimento estatal em infraestruturas dedicadas à indústria da canábis deverá praticamente triplicar no exercício de 2025/2026, atingindo cerca de 8,2 mil milhões de francos ruandeses (cerca de cinco milhões de euros). O dinheiro será aplicado na construção de estradas de acesso, redes de abastecimento de água e electricidade, sistemas de irrigação e outras infraestruturas consideradas essenciais para apoiar os produtores licenciados.

De acordo com a Cannabiz Africa, seis anos depois de legalizar o cultivo de canábis exclusivamente para exportação, o Ruanda está a reforçar significativamente o investimento público na indústria e a reposicionar-se como um futuro produtor africano de baixo custo para os mercados internacionais. A decisão surge após os atrasos enfrentados pelo primeiro grande projecto do país terem evidenciado que, sem infraestruturas adequadas, será difícil atrair investimento e competir com outros produtores do continente.

Primeiro projecto expôs as fragilidades

A mudança de estratégia parece resultar directamente da experiência da King Kong Organics Rwanda (KKOG), a primeira empresa a obter uma licença para cultivar, processar e exportar canábis medicinal no país.

O projecto, avaliado em vários milhões de dólares, foi apresentado como um marco para a nova indústria ruandesa. No entanto, a construção da unidade de produção, localizada no distrito de Musanze, sofreu sucessivos atrasos devido à inexistência de infraestruturas básicas de apoio. O acesso ao local, o fornecimento de água e energia e outras obras essenciais acabaram por exigir uma intervenção directa do Estado, que assumiu parte dos investimentos necessários para viabilizar o projecto. Em Maio deste ano, as autoridades indicavam que as instalações estavam cerca de 83% concluídas.

A experiência demonstrou que oferecer apenas um enquadramento regulatório favorável não é suficiente para convencer investidores internacionais. Sem condições logísticas adequadas, mesmo os projectos pioneiros enfrentam atrasos significativos.

De regulador a parceiro da indústria

A resposta do Governo foi acelerar o investimento público. Em vez de esperar que cada empresa suporte individualmente os custos de desenvolver infraestruturas, Kigali optou por assumir parte desse esforço, criando condições para reduzir os custos de instalação de futuros operadores.

Esta abordagem aproxima-se do modelo de política industrial que o Ruanda tem seguido noutros sectores estratégicos, nos quais o Estado procura remover barreiras ao investimento privado através da construção de infraestruturas e da simplificação administrativa.

Embora o Governo continue a divulgar pouca informação sobre a estratégia para a canábis, os documentos oficiais mostram que esta cultura integra um plano nacional para promover exportações agrícolas de elevado valor acrescentado, refere a Cannabiz Africa.

Um mercado exclusivamente virado para a exportação

Desde Outubro de 2020, o Ruanda permite apenas a produção de canábis para exportação. O consumo interno permanece proibido e continua sujeito a algumas das sanções mais severas da região. As empresas licenciadas operam sob rígidos requisitos de segurança, incluindo vigilância permanente, controlo de acessos, sistemas de videovigilância e monitorização pelas autoridades, de forma a impedir qualquer desvio da produção para o mercado interno.

Esta opção distingue o Ruanda de alguns mercados mais maduros, onde o desenvolvimento da indústria foi acompanhado pela criação de programas nacionais de canábis medicinal. Em Kigali, toda a estratégia assenta na exportação e na captação de divisas.

A corrida africana pela canábis medicinal

O Ruanda entra, contudo, num mercado africano cada vez mais competitivo.

O Lesoto foi o primeiro país africano a criar um quadro legal para a produção comercial de canábis medicinal e continua a beneficiar da proximidade ao mercado sul-africano, embora muitos produtores enfrentem dificuldades financeiras devido à queda dos preços internacionais.

O Uganda também apostou fortemente na exportação, aproveitando os baixos custos de produção e as condições climáticas favoráveis, enquanto o Zimbabwe procura diversificar a sua agricultura através da emissão de licenças para cultivo medicinal.

Marrocos seguiu uma estratégia diferente. Depois de décadas como um dos maiores produtores mundiais de canábis ilícita, legalizou em 2021 o cultivo para fins medicinais, cosméticos e industriais, procurando integrar milhares de agricultores numa economia formal e desenvolver uma indústria transformadora.

Já a África do Sul combina um mercado medicinal regulamentado com um enquadramento jurídico mais permissivo para o consumo e cultivo para uso adulto, tornando-se um dos países africanos com maior diversidade de modelos de negócio.

Perante este cenário, o Ruanda procura diferenciar-se não pela dimensão do mercado interno, que praticamente não existe, mas pela promessa de estabilidade política, rapidez administrativa, baixos custos de produção e, agora, por um investimento estatal destinado a reduzir os custos de entrada para novos operadores.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

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