Análise
Portugal: Exportações de canábis medicinal cresceram 762% nos últimos três anos, revelam dados oficiais do Infarmed
Portugal exportou quase 80 toneladas de canábis para fins medicinais em 2025, mais 156% do que no ano anterior, e só no primeiro semestre de 2026 já enviou 66,3 toneladas para os mercados internacionais, o equivalente a 83% de todo o volume exportado no ano passado. Também as prescrições continuam a acelerar: depois de terem aumentado 69,5% em 2025, para 7.023, chegaram às 5.413 nos primeiros seis meses deste ano, correspondendo já a 77% do total de 2025. Os novos dados do Infarmed I.P. revelam uma indústria que continua a crescer fortemente em volume e no mercado interno, apesar de 2026 trazer uma redução do número de operadores e de autorizações válidas.
A indústria portuguesa de canábis medicinal registou uma forte expansão em 2025 e mantém níveis elevados de crescimento no primeiro semestre de 2026, sobretudo nas exportações e prescrições, revelam os dados mais recentes do Infarmed, enviados hoje ao CannaReporter®.
Os relatórios de actividade de 2025 e do primeiro semestre de 2026 revelam também uma mudança importante no sector: o número de entidades autorizadas caiu em todas as categorias, apesar do aumento das exportações e do número de prescrições. A situação actual de Portugal sugere, assim, um mercado que continua a crescer em volume, mas que poderá estar a entrar numa fase de maior consolidação.
Os números constam dos relatórios “Canábis Medicinal – Evolução de actividade 2025” e “Canábis Medicinal – Evolução de actividade 2026 (1.º Sem.)”, divulgados hoje pelo Infarmed, e traçam a evolução do sector português desde 2022.
Depois de um crescimento particularmente acentuado em 2025, os primeiros seis meses de 2026 mostram que a expansão das exportações continua a um ritmo elevado: Portugal exportou 66.305 kg de canábis para fins medicinais até Junho, o equivalente a 83% de tudo o que tinha exportado durante os 12 meses de 2025.
Ao mesmo tempo, foram registadas 5.413 prescrições de preparações e substâncias de canábis com Autorização de Colocação no Mercado (ACM) no primeiro semestre, correspondendo já a 77% das 7.023 prescrições efectuadas durante todo o ano anterior.
Exportações dispararam 156% em 2025
Portugal exportou 79.883 kg de preparações e substâncias à base de canábis em 2025, contra 31.188 kg em 2024, um crescimento de cerca de 156%.

A evolução desde 2022 mostra a dimensão da expansão. Nesse ano foram exportados 9.271 kg, aumentando para 11.973 kg em 2023, 31.188 kg em 2024 e 79.883 kg em 2025.
Em apenas três anos, as exportações cresceram cerca de 762%.
A tendência mantém-se em 2026. Só durante o primeiro semestre, Portugal exportou 66.305 kg, ficando a apenas 13.578 kg do total registado durante todo o ano anterior. O próprio Infarmed salienta que este volume representa já 83% das exportações anuais de 2025.
Apesar de não ser possível comparar directamente seis meses com um ano completo, os números revelam uma aceleração evidente do ritmo das exportações: a média mensal passou de aproximadamente 6,7 toneladas em 2025 para cerca de 11 toneladas no primeiro semestre de 2026.
Alemanha é o principal destino, Espanha e Dinamarca aceleram
A Alemanha continua a ser, de longe, o principal destino da canábis medicinal exportada por Portugal. No entanto, o Infarmed continua sem disponibilizar dados sobre quanta desta canábis é efectivamente produzida em Portugal.

Em 2025, a Alemanha importou 58.257 kg de canábis de Portugal, contra 17.716 kg em 2024, um crescimento de cerca de 229%, representando aproximadamente 73% das exportações portuguesas nesse ano.
No primeiro semestre de 2026, Portugal já exportou 37.442 kg para a Alemanha.
Mas outros mercados estão a ganhar peso. Espanha, que recebeu 5.303 kg durante todo o ano de 2025, importou já 11.386 kg nos primeiros seis meses de 2026, mais do dobro do volume de todo o ano anterior. Fica também sem resposta a questão sobre a quantidade exportada para Espanha com fins de descontaminação / irradiação.
A Dinamarca apresenta uma evolução semelhante: passou de 5.785 kg em 2025 para 8.968 kg apenas no primeiro semestre deste ano.
Para o Reino Unido foram enviados 4.093 kg até Junho, praticamente o mesmo volume dos 4.121 kg exportados durante todo o ano de 2025. A Polónia recebeu 3.215 kg, face aos 4.142 kg do ano anterior.
Seguem-se República Checa, com 538 kg; Austrália, com 198 kg; Luxemburgo, com 192 kg; Suíça, com 78 kg; e outros mercados, com 195 kg. Israel, que tinha recebido 120 kg em 2025, não registou exportações portuguesas no primeiro semestre de 2026.
Menos operadores e menos autorizações em 2026
É no licenciamento que surge a principal inversão da tendência de crescimento. No final do período analisado pelo relatório de 2026 existiam 43 pessoas jurídicas autorizadas a operar no sector da canábis medicinal em Portugal. O relatório de 2025 indicava um total de 49 entidades autorizadas.
Os dados, actualizados a 2 de Junho de 2026, mostram também uma redução em todas as categorias de autorizações válidas.
No cultivo, o número passou de 38 em 2025 para 27 no primeiro semestre de 2026, uma redução de cerca de 29%.
As autorizações de fabrico diminuíram de 28 para 24 (-14%), enquanto as de importação/exportação passaram de 49 para 38 (-22%). A distribuição por grosso registou uma redução mais ligeira, de 16 para 15 autorizações (-6%).
A quebra é particularmente relevante porque acontece depois de vários anos de expansão.
Em 2022 existiam apenas 20 autorizações de cultivo, nove de fabrico e 27 de importação/exportação. Em 2025 esses números tinham aumentado, respectivamente, para 38, 28 e 49.
Os dados de 2026 parecem, assim, marcar uma mudança no ciclo de crescimento do número de operadores e autorizações, ao mesmo tempo que os volumes exportados continuam a aumentar.
O Infarmed refere expressamente que, durante 2025 e 2026, reforçou os procedimentos de controlo e adoptou diversas medidas regulatórias, incluindo “a suspensão, revogação e não renovação de autorizações” sempre que foram detectados incumprimentos dos requisitos legais e regulamentares.
O regulador tem vindo a concentrar a fiscalização na consistência e fiabilidade dos registos, rastreabilidade dos produtos e qualificação de clientes e fornecedores, considerando que a realização de transacções sem o adequado escrutínio das contrapartes constitui “uma violação grave” das obrigações aplicáveis ao manuseamento de substâncias controladas.
32 inspecções em apenas seis meses
A redução das autorizações coincide com uma actividade inspectiva significativa, depois dos distúrbios causados pelas Operações “Erva Daninha” e “Ortiga” por parte da Polícia Judiciária.

Em 2025, o Infarmed realizou 57 inspecções, o valor mais elevado da série apresentada nos relatórios e mais 50% do que as 38 efectuadas em 2024. Foram realizadas 41 inspecções a actividades de cultivo e 16 a fabrico.
Só no primeiro semestre de 2026 foram já realizadas 32 inspecções, exactamente o mesmo número efectuado durante todo o ano de 2022 ou de 2023. Destas, 27 incidiram sobre cultivo e cinco sobre fabrico.
Prescrições continuam a acelerar
O mercado português continua, entretanto, a mostrar também um forte crescimento das prescrições. Em 2021 foram registadas apenas 460 prescrições de preparações e substâncias de canábis com ACM. O número passou para 929 em 2022, 1.157 em 2023 e disparou para 4.143 em 2024. Os dados relativos ao número de prescrições agora anunciados contrariam o número avançado no terceiro trimestre de 2024, onde se relatavam apenas 757 prescrições, à data de Novembro de 2024.
Contactado pelo CannaReporter® para esclarecer esta disparidade, fonte do Infarmed disse que a discrepância poderá estar relacionada com o facto de, nesse relatório de 2024 não estarem ainda contabilizadas as prescrições dos medicamentos com AIM, Sativex e Epidyolex. E acrescentou que, só no primeiro semestre de 2026, já foram prescritas 1376 unidades de Epidyolex e 378 de Sativex.

Em 2025 foram registadas 7.023 prescrições, mais 69,5% do que no ano anterior e mais de 15 vezes o número contabilizado em 2021.
Mas os dados do primeiro semestre de 2026 revelam uma nova aceleração: em apenas seis meses foram registadas 5.413 prescrições, correspondendo a cerca de 77% de todas as prescrições efectuadas durante 2025.
A média mensal passou, assim, de aproximadamente 585 prescrições em 2025 para cerca de 902 nos primeiros seis meses de 2026.
Nenhuma nova ACM no primeiro semestre de 2026
O número de preparações e substâncias à base da planta da canábis com ACM também cresceu fortemente nos últimos anos, mas estabilizou no primeiro semestre de 2026.

Portugal tinha apenas uma ACM entre 2021 e 2023. Em 2024 foram aprovadas 11 novas autorizações, elevando o total para 12, e outras quatro foram aprovadas em 2025, chegando assim às 16.
Durante o primeiro semestre de 2026 não foi aprovada qualquer nova ACM, mantendo-se o total em 16.
Os titulares das ACMs são, actualmente, a Ferraz Lynce – Especialidades Farmacêuticas (através da FAI Therapeutics), Portocanna, SOMAÍ Pharmaceuticals e Tilray Portugal.
Infarmed antecipa estabilização após forte expansão
Os relatórios do Infarmed parecem antecipar a mudança agora visível em alguns dos indicadores. O regulador português considera que a evolução do sector evidencia uma transição para uma fase de “escala industrial e de expansão internacional”, associada ao reforço da capacidade produtiva, à entrada em novos mercados e à celebração de contratos de exportação de maior dimensão.
Mas assinala igualmente que, depois desta fase de forte expansão, é expectável que o mercado evolua para “um patamar de maior estabilização”, reflectindo um equilíbrio progressivo entre capacidade instalada, procura e consolidação dos mercados de destino.
Os primeiros dados de 2026 parecem apontar precisamente para uma realidade mais complexa do que um simples crescimento linear: Portugal continua a aumentar significativamente os volumes exportados e o número de prescrições, enquanto diminui o número de operadores e de autorizações válidas.
Se esta tendência se mantiver até ao final do ano, 2026 poderá marcar uma nova fase para o sector português da canábis medicinal, caracterizada menos pela multiplicação de operadores e mais pela concentração e crescimento da actividade das empresas que permanecem no mercado.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, Laura Ramos tem uma pós-graduação em Fotografia e é Jornalista desde 1998. Vencedora dos Prémios Business of Cannabis na categoria "Jornalista do Ano 2024", Laura foi correspondente do Jornal de Notícias em Roma, Itália, e Assessora de Imprensa no Gabinete da Ministra da Educação do 21º Governo Português. Tem uma certificação internacional em Permacultura (PDC) e criou o arquivo fotográfico de street-art “Say What? Lisbon” @saywhatlisbon. Co-fundadora e Editora do CannaReporter® e coordenadora da PTMC - Portugal Medical Cannabis, Laura realizou o documentário “Pacientes” e integrou o steering group da primeira Pós-Graduação em GxP’s para Canábis Medicinal em Portugal, em parceria com o Laboratório Militar e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.




