Ciência
Science in the City International 2026 em Paris posiciona-se como um “fórum estratégico” em França e no mundo
A conferência Science in The City celebra-se este ano em Paris, em duas cidades em paralelo, Paris e Nova Iorque, com mais de 40 oradores confirmados entre médicos, farmacêuticos, investigadores, advogados e outros profissionais da indústria da canábis. O evento vai decorrer nos dias 28 e 29 de Setembro, no auditório do cinema Elysées Biarritz, com uma transmissão interativa entre o simpósio em França e uma sessão satélite em Manhattan, este evento quer fortalecer a troca de conhecimento transatlântico e promover o debate sobre o impacto das políticas públicas na saúde e na economia. Começando com um dia de workshops e culminando com uma jornada intensa de apresentações e palestras, os painéis vão debater desde os resultados do projeto piloto e futuro da indústria e dos pacientes em França, até o papel dos farmacêuticos, sem esquecer os pacientes, que este ano também vão ter lugar no palco.
Após duas edições em Bordéus, a Science in the City, organizada pela Medical Resource Association, muda-se para a capital francesa para colocar a canábis no centro do debate, num momento de grandes mudanças no país. Como diz a própria organização no press release enviado esta semana, “esta já não é uma conversa regional, é uma conversa global” e como diz Kristen M. Beury, diretora da Science in the City, “o novo capítulo da medicina endocanabinóide está a ser escrito agora”. E mais que uma conferência, como dizem, pretendem que este seja “um fórum estratégico” para promover um debate informado e baseado em evidências, sobre o potencial da planta, para onde está a evoluir a indústria de modo a responder a cambiante situação legal não só em França como noutras latitudes, e ouvir o que os pacientes têm para contar sobre a sua experiência pessoal, os desafios, o acesso
Kristen M. Beury explicou ao CannaReporter® a razão para esta mudança de casa: “após dois anos incríveis e fundamentais em Bordéus, a mudança da Science in the City International para Paris — especificamente para os icónicos Champs-Élysées — foi uma evolução deliberada e estratégica.” Tendo em conta o final do projeto piloto e as recentes mudanças na regulamentação da canábis medicinal pelas que o país atravessa justificam a mudança para a capital, “Paris destaca-se como um epicentro global incomparável para o diálogo internacional, a ciência e as políticas. Ao trazer o simpósio para aqui, estamos a colocar os nossos participantes onde o futuro está a ser ativamente definido. A ciência está a avançar, as regras estão a mudar e Paris proporciona o palco perfeito para abordar estas transformações globais”, explica.
Mais uma vez, este ano a conferência vai ter uma sala no centro de Manhattan, em Nova Iorque, Estados Unidos, conetada a Paris online. Os participantes que estiverem daquele lado do Atlântico vão juntar-se ao pequeno-almoço no escritório de advogados Duane Morris LLP, para assistir a dois painéis de conversas, com possibilidade de colocar perguntas aos oradores. De acordo com a organização, esta sessão será especialmente interessante para advogados, médicos, ou pessoas que trabalhem nas áreas financeiras ou políticas relacionadas com canábis.
Entretanto, como nos disse Beury, os pacientes também vão ter um lugar de destaque. “Um pilar fundamental do nosso programa é a representação dos doentes palco principal, garantindo que o impacto humano no mundo real permanece no centro dos nossos avanços científicos”, contou.
O modelo francês – ainda à espera da regulamentação
A França é um exemplo das transformações globais que estão a acontecer. Após o fim do projeto-piloto de cinco anos (inicialmente pensado para dois anos), que permitiu a cerca de 3000 doentes experimentarem tratamentos com canábis medicinal, o país encontra-se agora numa fase de transição. Embora a experiência controlada tenha terminado no final de 2024, o bons resultados levaram o Governo a estender as autorizações de tratamento para garantir que os pacientes não ficavam sem o seu medicamento enquanto a regulamentação definitiva está a ser desenhada. Mas a implementação enfrenta atrasos burocráticos por parte do Ministério da Saúde, já que a Alta Autoridade de Saúde (HAS) ainda tem que emitir o parecer final sobre o escalão exato de reembolso e os preços de comparticipação, que foi aprovada em junho deste ano pelo Ministério da Economia para grande alívio dos doentes.
Dos 3000 doentes iniciais, continuam em tratamento cerca de 700 pessoas, que só têm acesso aos seus produtos através das farmácias hospitalares ou nas farmácias comunitárias autorizadas que tinham licença. Quem não entrou na fase piloto continua sem conseguir iniciar tratamento e terá de esperar até que a decisão do Conselho de Estado sobre os preços e reembolsos seja publicada no Journal Officiel. Prevê-se que em 2027 mais doentes possam começar a aceder a estes tratamentos.
A terapêutica com canábis medicinal continuará a estar limitada a condições específicas para as quais não há outras opções farmacológicas disponíveis, como a dor neuropática, a epilepsia grave, a esclerose múltipla, sintomas associados a tratamentos oncológicos e cuidados paliativos.
E se durante o projeto-piloto só os médicos-especialistas hospitalares podiam prescrever, agora os médicos de clínica geral ou médicos de família vão poder renovar o tratamento já iniciado. A regulamentação vai permitir apenas o uso de extratos (óleos) e flores desfeitas para vaporização e o fumar continua a ser proibido.
Dois dias de “sessões educativas” com 45 oradores, profissionais e pacientes
Na edição deste ano, o programa passa a ocupar dois dias completos de “sessões educativas” para “aprofundar os dados clínicos e a dinâmica do mercado”, especifica Beury, acrescentando:“ temos muito orgulho em focar-nos fortemente na educação contínua acreditada para profissionais de saúde, fornecendo-lhes as ferramentas baseadas em evidências de que necessitam.”
Com a canábis medicinal como fio condutor, as sessões deste ano vão abordar temas como a medicina integrativa, a genética, a inovação vegetal e a ciência farmacêutica, assim como o impacto operacional da nova legislação em França. No total são 45 oradores vindos dos quatro cantos do mundo para debater a situação regulamentar da planta em diversos países – e nomeadamente, em França.
O tema do primeiro dia é ”O Prelúdio Científico” e vai arrancar com uma receção de boas-vindas no terraço do Cinema Elysées Biarritz, continuando depois com sessões de meia hora que se vão tratar temas como cultivo, genética, produção, estração, olhando para o que se está a fazer em vários. A abrir o programa, a mesa-redonda “O Mercado Medicinal Alemão e Cadeia de Abastecimento” vai debruçar-se sobre o que aquele país – onde a canábis já é legal para todos os fins – está a fazer em termos de produção, importação, distribuição e o papel das farmácias e da formação aos profissionais de saúde.
A tarde continua com os debates “Genéticas, Biotecnologia & Metodologias de Extração” e “Roteiro para a obtenção de API (Ingrediente Farmacêutico Ativo) em conformidade com as Boas Práticas de Fabrico UE GMP para produtos farmacêuticos” que também vai falar sobre genética, cultivo, pós-colheita e extração.
O potencial económico da canábis para o turismo de saúde vão ser abordados na sessão “A canábis medicinal e a economia da experiência francesa: turismo e bem-estar”, após a qual se vai olhar para o que o Canadá tem vindo a fazer nos últimos anos comparando aquele modelo com o que tem sido feito na Europa; restando ainda tempo para conhecer o trabalho e as dificuldades que enfrentam as associações do setor em todo o mundo, com a presença de representantes da Quebec Cannabis and Hemp Industry Association (AQIC), da Cannabis Trades Association, APAISER S&C (Associação de Doentes com Diagnóstico de Siringomielite e Malformação de Chiari) e a ANSM. O primeiro dia termina com o “reconhecimento aos sponsors”.
O dia seguinte está dedicado aos “Dados Clínicos, Acesso e Regulação” (em simulcast com Nova Iorque) e começa logo de manhã com uma sessão focada na situação regulamentar em França e a mesa-redonda “Prática Clínica e Seleção de Doente”. É neste dia que será feita a ponte transatlântica com os oradores e participantes que se encontram em Nova Iorque. E ao longo da jornada vai haver tempo para discutir desde as cinco indicações clínicas do programa-piloto francês (10h20), a farmacologia e as interações medicamentosas da canábis, o papel dos farmacêuticos, alguns canabinóides “menores”, o Dossier da ANSM para o acesso dos doentes, produção, logítica, as questões regulatórias relacionadas com o processo de transição para a canábis farmacêutica no país, as necessidades dos doentes, as projeções económicas com vista no próximo ano, e muitos outros assuntos que interessam tanto aos operadores como aos profissionais das diversas áreas da saúde.
Entre os oradores, vão estar Mado Gilanton (Presidente da APAISER S&C e Membro do Comité Científico Temporário da ANSM para a Experimentação Terapêutica da Canábis), os médicos Pascal Douek (especialista em canábis medicinal) e Thierry Prazuck (chefe do serviço de doenças infeciosas e tropicais do CHU d’Orléans); Marie Sanchez (advogada da NOOA Avocats e especialista em canábis), Ludovic Rachou (presidente do sindicato industrial UIVEC), Hugues Péribère (fundador e dirigente da produtora francesa Overseed); Beau Whitney (especialista em economia global da canábis); ou Federica Pellati (professora e investigadora na Universidade de Modena e Reggio Emilia).
Para Krinten M. Beaury, este evento tem como objetivo “fomentar a solidariedade internacional e impulsionar o avanço concreto de mercados regulamentados [de canábis medicinal], escaláveis e baseados em evidências.”
Apesar da situação francesa estar, como dissémos antes, num impasse, Beury espera que esta cimeira ajude “a desmantelar as barreiras entre a saúde, a ciência, a agricultura, as finanças e o direito” em França e a nível global. “Ao reunir médicos, farmacêuticos, investigadores, consultores jurídicos e defensores dos doentes no mesmo espaço durante dois dias de profunda colaboração, pretendemos estabelecer parâmetros padronizados para a saúde à base de plantas”, explica, acrescentando que “em última análise, queremos que o simpósio deste ano sirva o catalisador definitivo que capacita os líderes clínicos e pioneiros do setor com as estratégias de conformidade intermercados necessárias para escalar com segurança a próxima fase do setor.”
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.
Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.




