Cânhamo
Tóta Jonsdottir: “O futuro da saúde não virá de um único sistema, profissão ou planta”
Thorunn Jonsdottir, mais conhecida como Tóta, descreve-se como “uma pioneira do uso de canábis para fins medicinais na Islândia”. Trabalha com cânhamo e canábis há mais de uma década e o seu início como ativista levou-a a fazer óleos, a partilhar conhecimento sobre as propriedades medicinais e industriais da planta e, mais tarde, a organizar a primeira conferência dedicada ao cânhamo no seu país: a “Hemp4Future” – que entretanto mudou de nome para “Health for the Future Summit”, que arranca amanhã em Reiquiavique, na Islândia.
Medicina integrativa e o potencial agrícola e económico do cânhamo, são os temas que dão o mote ao evento Health for the Future Summit, que se inicia amanhã na Islândia, um dos poucos países europeus que ainda não regulamentou o uso de canábis medicinal.
Co-fundadora e Vice-presidente da Hampfélagið, ou Sociedade do Cânhamo, “uma organização fundada para educar e partilhar os benefícios da utilização do cânhamo para um futuro melhor e mais sustentável”, Tóta é uma das vozes islandesas mais activas para o acesso e a regulamentação da planta no seu país. Para compreender como tudo começou, qual a situação legal do cânhamo e da canábis na Islândia e quais os pontos altos do summit deste ano falámos com Tóta Jonsdottir.
Conte-nos um pouco sobre a história do Hemp4Future, por que razão decidiu criar este evento na Islândia?
A Hemp4Future surgiu naturalmente do trabalho que já vinha desenvolvendo há muitos anos. Eu apoiava os doentes, trabalhava com eles na Associação Islandesa de Cânhamo, cultivava cânhamo na Islândia e construía relações com médicos, investigadores, defensores e líderes do setor em todo o mundo.
Nessa altura, a Islândia tinha muito pouco acesso a informações fiáveis sobre canábis medicinal e cânhamo, e os doentes quase não tinham voz. Por isso quis trazer conhecimento e experiência internacional para a Islândia e criar um espaço onde as pessoas pudessem falar abertamente sobre ciência, o acesso dos doentes, as políticas, a sustentabilidade e as oportunidades em volta da planta.
Acredito também que a Islândia é um lugar muito especial para reunir pessoas. A nossa natureza, a energia renovável e sermos uma sociedade pequena e conectada, tornam possível ter aqui conversas que parecem pessoais e significativas.
Por que razão mudaram agora o nome para Health for the Future?
O nome Hemp4Future já não refletia tudo em que o evento se transformou. A planta continua a ser uma parte importante da nossa história, mas as conversas expandiram-se muito. Já estávamos a juntar medicina, ciência, saúde da mulher, saúde mental, direitos humanos, experiência do doente, a natureza, a sustentabilidade e as novas abordagens para o bem-estar. Health for the Future é, assim, o próximo capítulo. Isto dá-nos espaço para conectar áreas que estão muitas vezes separadas, porque o futuro da saúde não virá de um único sistema, profissão ou planta.
Qual a situação atual em relação à produção e utilização de canábis e de cânhamo na Islândia?
A Islândia ainda não tem um programa de canábis medicinal em funcionamento. Um pequeno número de medicamentos à base de canábis registados pode estar disponível para condições específicas, e os médicos podem solicitar autorização para utilizar certos medicamentos não registados para doentes individuais. Mas na verdade, o acesso continua a ser extremamente difícil e a maioria dos doentes não tem um percurso legal ou prático para fazer o seu tratamento.
O uso adulto continua a ser ilegal. Infelizmente, isto significa que as pessoas que já utilizam a canábis para fins medicinais necessitam, muitas vezes, de recorrer ao mercado ilegal, sem aconselhamento médico, produtos consistentes ou informação fidedigna.
Já o cultivo de cânhamo industrial é permitido desde 2021, mas as regras em torno do processamento, extratos, flores, alimentos e outros produtos permanecem obscuras. Cultivamos cânhamo com sucesso na Islândia, por isso sabemos que as plantas podem prosperar aqui. O que falta é uma estrutura regulatória clara que permita aos agricultores e às empresas investir e construir uma indústria responsável.

Hemp4Future 2025. D.R. Fat Nugs Magazine
Tem uma lista extraordinária de oradores no Summit deste ano. Como conseguiu reunir todas estas lendas vivas da ciência e da medicina canábicas e não só?
Foram necessários anos de construção de relações. Muitos dos oradores são pessoas que conheci através do meu trabalho com os doentes, o ativismo e a comunidade internacional. Alguns tornaram-se amigos próximos e apoiaram-me esta jornada desde o início.
E pessoas como o Dr. Ethan Russo e a Dra. Bonnie Goldstein não vêm porque esta é simplesmente mais uma conferência. Eles compreendem o que estamos a tentar criar na Islândia e reconhecem a necessidade urgente de educação, de acesso dos doentes e de diálogo honesto.
Mas este ano, estamos a reunir médicos, cientistas, enfermeiros, investigadores, decisores políticos, defensores dos doentes, empresários e pessoas com experiência vivida. Podem vir de diferentes áreas, mas partilham um desejo genuíno de melhorar a saúde e criar mudanças significativas.
Por que razão acha que é importante estender a conversa para além da ciência convencional da canábis e do cânhamo?
A saúde não pode ser compartimentada. Um doente não é simplesmente um diagnóstico ou uma lista de sintomas. Medicina, saúde mental, hormonas, estilo de vida, trauma, nutrição, natureza, a comunidade, os direitos humanos e o ambiente estão todos interligados.
A ciência e a evidência são essenciais, mas a experiência vivida também importa, e os doentes precisam de ser ouvidos.
A medicina e a ciência da planta são apenas uma parte de uma conversa muito mais ampla sobre saúde. E assim, ao reunir diferentes perspetivas, podemos fazer melhores perguntas e criar soluções mais humanas, práticas e sustentáveis.
Quais vão ser os pontos altos do Health for the Future 2026?
Todo o programa foi concebido como uma experiência de três dias, em vez de uma conferência convencional.
Começamos a 18 de setembro com um Dia de Imersão, que inclui workshops, conversas com especialistas e oportunidades para que as pessoas se possam ligar antes da conferência principal. Os dois dias seguintes reúnem oradores internacionais, apresentações individuais e painéis cuidadosamente selecionados.
Estou particularmente entusiasmada com os quatro oradores principais: Dra. Bonnie Goldstein, Dr. Ethan Russo, Dra. Tina Horsted e Dr. Zubin Marolia. Juntos, trazem uma experiência clínica e científica extraordinária em cuidados ao paciente, sistema endocanabinóide, canábis medicinal e oncologia integrativa.
Outros pontos importantes do programa incluem a saúde da mulher, histórias de doentes, acesso ao tratamento, direitos humanos e redução de danos.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.
Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.




