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Islândia: Health for the Future renova-se e aposta na saúde integrativa

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Este ano, as conferências “Hemp4Future”, que habitualmente têm lugar em Setembro, na Islândia, mudaram de nome para “Health for the Future Summit”, continuando a trazer ao debate as plantas medicinais e a saúde, mas ampliando o horizonte a outros temas como a natureza, o turismo, ou a ciência e a medicina canabinóide associados à saúde e ao bem-estar humano. Para marcar esta viragem, reuniram um painel de oradores de alto gabarito, entre os quais o Professor Ethan Russo e a Dra. Boni Goldstein, ambos com vastíssima experiência e conhecimento em medicina canabinóide e no Sistema Endocanabinóide; o homeopata indiano Dr. Zubin Marolia; o “‘Mayor’ da canábis” e membro da direção da NORML, Ian Rassman; ou a fitofarmacêutica iraniana especialista em ciência canabinóides aplicada à saúde feminina, Shabnam Sarshar, entre outras referências islandesas e internacionais. E entre uma sessão de yoga do riso e outra de sound healing, vai haver tempo para ouvir os doentes, a contar as suas experiências em primeira pessoa.

A missão da Health for the Future, a decorrer entre os dias 18 e 20 de Setembro em Reiquiavique, na Islândia, é reunir vozes “de diversos setores e disciplinas” porque, como dizem no site, “o futuro da saúde não virá de um único sistema”, mas antes “da reconexão entre natureza e ciência; bem-estar e medicina; pessoas e comunidade; inovação e sustentabilidade.” Todas elas áreas em que a canábis e o cânhamo (variedades de canábis com baixo teor de THC) podem ter um papel relevante de acordo com o conhecimento adquirido até hoje, tanto em relação ao uso medicinal da canábis como aos múltiplos usos cânhamo.

Mas o que vale a pena destacar desta cimeira é, efetivamente, o impressionante grupo de oradores que reuniram para estes dois dias de palestras e conversas.

A abrir o programa do primeiro dia – dedicado aos “doentes, medicamentos e políticas corajosas” – estará a neuropediatra, autora, consultora e fundadora das clínicas CannaCenters Bonni Goldstein, com uma apresentação intitulada “Os pacientes que a medicina deixou para trás”. 

Especialista no tratamento do autismo e das epilepsias refratárias, a Dra. Bonni trata aquelas crianças para as quais a farmacopeia atual não tem respostas. Após o anúncio da reclassificação da canábis nos EUA por parte do Governo de Trump, a sua luta por estes doentes tem sido intensa. Caso o Senado aprove a Ordem Executiva do Presidente em Novembro deste ano, a canábis deixará de constar na Lista I (substâncias com alto potencial aditivo e sem aplicação médica ou propriedades terapêuticas aceites), passando para a Lista III (substâncias com potencial de abuso mais baixo do que as que pertencem às Listas I e II e com aplicação médica aceite) do Controlled Substances Act. Isto irá provocar uma restruturação do mercado que pode privilegiar as grandes empresas com capacidade financeira e dificultar a vida aos pequenos produtores de CBD derivado do cânhamo, de cujos produtos dependem milhões de pessoas (entre elas muitas crianças com autismo e epilepsias refratárias) que podem vir a ficar sem os seus medicamentos. E nestes casos, quando um produto de canábis específico funciona, não se pode estar a mudar.

Segue-se uma mesa-redonda com o título “O custo do silêncio”, moderado por Ian Rassman e com a participação da Dra. Bonni Goldstein ao lado de Sian Phillips, Diretora Executiva da Cannabis Trades Association na qual lidera o Lidera o Patient Voice, um comité que ouve e dá voz aos pacientes; Dustin Hoxworth, fundador e editor da Fat Nugs Magazine; e Magnús Þórsson, professor de Empreendedorismo na Universidade Johnson & Wales e fundador da Canna Curious Wellness, uma editora e agência de design para ajudar consumidores e produtores a utilizar, etiquetar e criar processos para um uso esclarecido da canábis medicinal.

Outra das conversas do dia, com o tema “Quem decide que tratamentos são permitidos?” vai ter a participação do Professor Ethan Russo, neurologista pediátrico, fundador da CReDO Science e uma das maiores autoridades mundiais no Sistema Endocanabinóide; da Dra. Tina Horsted, com mais de 30 anos de experiência clínica no tratamento da dor crónica com canábis medicinal; de Rebecca Abraham enfermeiras e fundadora da plataforma Plesio Health; e Will Muecke, sócio e Diretor de Investimentos e Estratégia da Artemis Growth Partners, uma plataforma de private equity que gere mais de 300 milhões de dólares em ativos direcionados a terapias emergentes. Esta palestra será moderada por Heidi Whitman, consultora e fundadora da plataforma EmpowHer Cannabis Society.

Mas desta jornada destacamos a sessão de abertura com a Dra. Tina Horsted, que leva a apresentação “A coragem de tratar”, na qual vai falar da sua experiência de anos a usar cannabis medicinal na prática médica do trabalho realizado no Horsted Institute, em Copenhaga onde, entre outras coisas, a doutora e a sua equipa dão formação a médicos e enfermeiros em canábis medicinal, de modo a poderem dar resposta aos doentes com tratamentos seguros, dignos e baseados em evidências. 

E está ainda a questão da abordagem. 

Na palestra “Tratar a pessoa como um todo, não apenas a doença – da Patogénese à Salutogénese”, que fecha o segundo dia de conferências, o Dr. Zubin Marolia vai explicar porque isto é importante. Este homeopata especialista em oncologia integrativa radicado em Bombaim, na Índia, vai falar da “salutogénese” – “o estudo da saúde, do bem-estar e dos fatores que criam e mantêm a vida, em vez de se concentrar apenas na patogénese da doença”, explicam no seu perfil. 

Desde a sua prática, o Dr. Zubin junta as terapias complementares aos protocolos oncológicos convencionais, criando uma resposta clínica que não só trata o cancro com fármacos, como também com práticas que promovem a paz interior e a vitalidade holística. Para isso, ele trabalha com azevinho usando uma técnica por si criada chamada Mistletoe Therapy, prática que começou em 1991 após uma passagem pela Lukas KliniK, na Suíça, “o berço da medicina antroposófica”

Os demais debates e palestras vão abordar temas como a felicidade, a construção de uma sociedade do bem-estar (para além do PIB) ou a autossuficiência dos pacientes, e estão programadas várias sessões nas quais estes vão tomar a palavra para partilhar as suas experiências, conhecimentos e questões mais prementes.

E para fechar o ciclo de conferências, vai tomar o palco o Professor Ethan Russo com uma apresentação intitulada “Trinta anos de atraso: porque é que a medicina ainda ignora o Sistema Endocanabinóide?”. Uma excelente pergunta. Esperamos que o Dr. Russo traga aqui algumas respostas ou, pelo menos, soluções.

Todos os sistemas contam

O objetivo da organização da Health for the Future não é apenas reunir oradores e público, é criar uma experiência imersiva, pelo que o programa vai muito além das habituais conferências. 

Para o primeiro dia do encontro, antes de começarem as conferências, o programa oferece ainda uma city walk por Reiquiavique com Ian Rassman, especialista financeiro e Diretor Executivo do braço californiano da histórica National Organization for the Reform of Marijuana Laws (NORML), associação norte-americana que desde os anos 70 tem lutado incansavelmente pela legalização da canábis. 

Quem tiver interesse, pode ainda ocupar essa tarde participando no workshop dedicado à saúde e ao bem-estar da mulher. Esta sessão prática vai ser liderada pela Dra. Melanie Wentzel, conta com a participação de especialistas islandeses e internacionais, e está pensada para se poder explorar “a saúde da mulher em todas as fases da vida, através da ciência, da experiência vivida e de abordagens naturais ao bem-estar”. Ou seja: três horas de partilha e aprendizagem prática, nas quais se vai cruzar a ciência, experiências pessoais e sessões com facilitadores. 

Esta abordagem à canábis e às plantas medicinais desde uma perspetiva holística, ampliando a área de intervenção clínica à medicina integrativa e a outros planos importantes da saúde e do bem-estar, é o que diferencia a Health for the Future de outras conferências de canábis medicinal. Porque cada vez mais a medicina tende a abraçar novas formas de olhar para o ser humano, considerando todas as suas dimensões (corpo, mente e espírito) e começa a aceitar que há benefícios quando se alia o conhecimento moderno a outras práticas, umas antigas, outras nem tanto. Este é, precisamente, o ponto de partida da medicina integrativa, que defende a simbiose entre a medicina moderna e as terapias complementares (como a naturopatia, a osteopatia, diversos tipos de massagens, reiki, yoga, tai chi e outras formas de exercício físico, meditação e mindfulness, hipnoterapia, passeios na natureza, tempo de lazer e descanso, etc.).

Como diz a organização da Health for the Future: “o futuro da saúde não virá de um único sistema”. Mas virá certamente do aprofundamento na compreensão do Sistema Endocanabinóide e da evolução da medicina endocanabinóide a especialidade médica. 

Veja o programa completo aqui. 

Health for the Future
18 a 20 de Setembro, Reiquiavique, Islândia
https://healthforthefuture.is
Bilhetes: Standard 344$; VIP 481$; Workshop saúde feminina 62$

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.

Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.

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Ethan Russo, MD
29 dias atrás

Thank you for the nice coverage of this event. I greatly appreciate it, and hope that Margarita and Laura may attend the conference along with many other folks from around the world.

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