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Análise

Relatório do ICAD revela que consumo diário de canábis entre os jovens em Portugal é inferior a 1%

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O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) publicou no passado dia 2 de Dezembro o relatório “Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências Portugal 2024”. Neste levantamento, que analisou os hábitos e comportamentos de 11.083 estudantes dos 13 aos 18 anos, em 329 escolas, verificou-se que o consumo de álcool, tabaco e substâncias diminuiu. A canábis continua a ser a substância ilícita preferida pelos jovens, mas o consumo diário (ou quase diário) é residual: inferior a 1% nas faixas etárias analisadas. Porém, outro tipo de adicção está a aumentar bastante entre a população juvenil: o jogo a dinheiro e os jogos electrónicos. 

De acordo com o sumário publicado pelo ICAD na página de apresentação do relatório, “os dados mostram uma boa notícia, em alinhamento com os dados nacionais: o consumo de álcool, tabaco e drogas desceu em todas as regiões, verificando-se uma tendência de crescimento do jogo a dinheiro e do jogo eletrónico, face a 2019 [data do último estudo apresentado], colocando novos desafios.”

No entanto, os investigadores Elsa Lavado e Vasco Calado apontam para problemas regionais recorrentes: “De uma forma geral, a presente edição do estudo confirma o que se tem vindo a concluir com este e outros estudos que o ICAD realiza periodicamente junto da população juvenil, isto é, que Alentejo, Algarve e Açores são as regiões que se destacam por uma maior prevalência de comportamentos aditivos entre os jovens em geral, e os alunos do ensino público em particular, enquanto Norte e Madeira se destacam em sentido contrário.” 

Mesmo assim, dão nota de que é preciso olhar de forma mais pormenorizada para os dados, já que uma coisa é a prevalência e outra é frequência de uso/consumo. “O panorama depende do que estiver em causa, pois mesmo as regiões que apresentam prevalências tendencialmente superiores ao total nacional não deixam de registar valores inferiores no que se refere a determinados indicadores”, explicam.

À lupa, o que se verificou foi que o Algarve apresenta a taxa mais alta de experimentação de substâncias ilícitas (12%), assim como de consumo recente (9%), enquanto o Norte apresenta as taxas mais baixas (5% e 4%, respetivamente). Estes consumos, porém, são mais prevalentes no Alentejo (5%) e menos frequente na Madeira, no Norte e nos Açores (2%).

O total nacional de experimentação destas substâncias fica nos 7.6%; enquanto o consumo recente é de 6.2% e o consumo atual de 2.9%.

Comparativamente ao estudo anterior, publicado em 2019, aumentou a diferença entre a região com a maior prevalência e a região com a menor prevalência, “facto que se torna ainda mais relevante considerando que globalmente os valores baixaram, alguns de forma considerável”, concluem.

Como especificam na explicação da metodologia usada, foram inquiridos 11.083 alunos, totalizando 758 turmas em 329 escolas. E “em Portugal Continental foram inquiridos mais elementos do sexo feminino do que do sexo masculino (de forma mais acentuada em Lisboa e menos no Norte), enquanto que nas Regiões Autónomas se verifica o inverso”. Quando às idades, a proporção de alunos mais velhos (16-18 anos) foi ligeiramente superior à de alunos mais novos (13-15 anos).

Álcool é a substância mais usada em todo o país

Em todo o país, o álcool é a substância psicoativa mais consumida pela população em idade escolar. Muitos estudante bebem para experimentar (58%), sendo que para muitos foi há menos de 12 meses (48.3%), diminuindo para pouco mais de metade o número de jovens que consumiu álcool nos últimos 30 dias.

O Alentejo posiciona-se como a região com as as taxas mais altas de consumo de álcool (40%) tanto dos estudantes que consumiram no último mês como do consumo excessivo episódico (30%) e de intoxicação grave (27%). “Comparando as diferentes regiões entre si, verifica-se que o Alentejo regista as maiores prevalências de consumo de todos os tipos de bebidas alcoólicas, muito acima dos respetivos totais nacionais”, dizem os autores.

A Madeira, por seu lado, apresenta as taxas mais baixas de consumo, com 11% a referir intoxicação recente.

Consumo de tabaco, é o segundo da lista

O tabaco é a segunda substância mais consumida, com o Alentejo a liderar em prevalência – apresentando mais do dobro dos consumos do que a região Norte. Falamos de uma média nacional de consumo atual de 10.4%, que no Alentejo sobre para os 17.2% e em Lisboa para 12.3%, um pouco acima do Algarve (10.3%). A taxa mais baixa verificou-se na região Norte, onde apenas 7.8% afirmou usar tabaco.

Em Lisboa, porém, foi onde se verificou o maior consumo de shisha e tabaco aquecido (6.2%), por oposição aos Açores (2.1%) e à Madeira (1,9%), que apresentaram as taxas mais baixas.

Entre as substâncias ilícitas, a canábis continua a ser a preferida

A canábis é a substância ilícita mais experimentada e consumida em todas as regiões (6.6% e 2,% dos inquiridos, respetivamente), sendo o Algarve (10.5%) e o Alentejo (8.8%) as regiões onde a prevalência é maior. E se o Algarve é onde os jovens consomem mais, fazem-no com menos frequência do que noutras regiões. 

“Hoje, o consumo de canábis ao  longo da vida e nos últimos 12 meses continua a ser mais elevado no Algarve, mas já não o é no que se refere ao consumo nos últimos 30 dias pois, neste caso, entre 2019 e 2024, as prevalências desceram mais no Algarve do que no total do país”, refere o estudo.

Também há uma diferença assinalável entre os arquipélagos, tendo-se registado os consumos diários de canábis mais altos do país nos Açores (18% dos consumidores). Na Madeira, apenas 5%.

E no entanto, o consumo diário ou quase diário de canábis é quase residual (inferior a 1%) em todas as regiões do território nacional. 

Comportamentos no Alentejo além das médias nacionais 

Segundo indicam os resultados deste estudo, as disparidades regionais são significativas, sendo que o Alentejo é a zona do país “onde o cenário parece ser mais gravoso entre os alunos do ensino público”. Esta não é só a zona do país onde se verificou uma maior prevalência de consumo de álcool e tabaco, “como se configura entre as regiões onde o consumo de substâncias psicoativas menos desceu (e, no caso do consumo não-prescrito de tranquilizantes/sedativos, onde mais subiu)”.

Foi aqui também que se verificou o maior consumo de álcool, tabaco eletrónico e tabaco aquecido.

Jovens do Algarve entendem ter mais facilidade de acesso às substâncias ilícitas

O Algarve é, de todas as regiões do país, onde o maior número de alunos considerou que tanto a canábis (24.7%) como o ecstasy (10.4%), a cocaína (11.9%), LSD (8.6%), crack (10.4%), heroína (8.8%) e cogumelos mágicos (10.2%) são facilmente acessíveis, com uma diferença substancial em relação à média nacional, tanto para a canábis (17%) como para as outras drogas. Entre as três primeiras, é a cocaína a que parece estar mais facilmente acessível em todo o país (8%). 

Em Lisboa, verificou-se ainda que a percepção de facilidade de acesso ao ecstasy (8.2%) está muito próxima aos valores registados para a cocaína (8.5%).

Em relação a estas substâncias, foi no arquipélago dos Açores que se verificou que a “percepção de acessibilidade” é mais baixa, sendo a cocaína, mais uma vez, a substância que parece ser menos difícil de arrajar (4.3%) a seguir à canábis (14.1%). Mas foi na Madeira que se registaram os valores mais baixos do país em termos de acesso à planta (13.8%).

Segundo o relatório, nas “regiões onde o consumo é mais prevalente são precisamente aquelas onde o acesso a estas substâncias psicoativas tende a ser percepcionado como mais facilitado pelos alunos.”

Videojogos e jogo a dinheiro: adicções legais em claro aumento

Se em termos de consumo de substâncias todas as regiões registam agora prevalências inferiores às obtidas em 2019, uma das tendências que mais chama a atenção é a subida “na prática de jogo a dinheiro”. Segundo explicam, este comportamento “é hoje mais prevalente em todas as regiões do país”, com aumentos que vão desde os 5% aos 11% em relação ao estudo anterior.

“O jogo a dinheiro é uma prática com maior expressão no sul do país (Lisboa, Alentejo e Algarve), sendo que a percentagem de alunos que declara tê-lo feito nos 30 dias anteriores à inquirição varia entre 17%, nos Açores, Centro e Norte, e 21%, no Algarve (Figura 20)”, explicam. 

Quanto aos videojogos, foi na região Centro que os jovens declararam jogar mais  durante os dia escola, enquanto que nos Açores foi onde se verificou que os alunos jogam mais nos dias que não têm aulas.

Relativamente à frequência, nos Açores declararam jogar videojogos durante quatro ou mais horas por dia (17% em dias de escola e 38% em dias sem escola), sendo esta também a zona do país onde é mais prevalente o jogo eletrónico de forma diária (43%), com quatro ou mais dias na semana anterior ao inquérito.

E é no Norte, Centro e Algarve onde os alunos passam menos tempo a jogar videojogos durante os dias de escola (9% durante quatro ou mais horas por dia). E no Alentejo onde dedicam menos tempo diário a jogar, nos dias sem escola (26% dos alunos, durante quatro ou mais horas por dia) e onde jogaram menos de quatro ou mais dias na semana anterior a terem sido inquiridos (33%). 

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.

Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.

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