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Congresso MULTICANNA26 em Viseu pretende estimular colaboração entre investigadores, empresas e entidades ligadas à canábis e ao cânhamo

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Arranca hoje em Viseu o Congresso MULTICANNA26, um evento que vai contar com a presença de João Moura, Secretário de Estado da Agricultura, além de investigadores, profissionais de saúde, produtores, empresários e agricultores do setor da transformação e as entidades reguladoras, Infarmed e DGAV – Direcção Geral de Agricultura e Veterinária.

Falámos com Cristina Amaral, uma das organizadoras, para compreender as razões que impulsionaram a criação deste dia de debates.

Mestre em Bioquímica pela Universidade da Beira Interior (UBI) e Doutorada em Ciências Farmacêuticas na especialidade de Bioquímica pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) e detentora do Meeting Bursary Award da European Association for Cancer Research (EACR), Cristina Amaral é uma das investigadoras portuguesas com mais trabalho realizado na área da canábis.

A sua área de foco mais recente tem sido o estudo do potencial anti-cancerígeno dos canabinóides e da sinalização canabinóide no cancro da mama, assim como a compreensão dos efeitos dos canabinóides na reprodução (nomeadamente, durante a gravidez) e o impacto na fertilidade.

“Cannabis sativa: Muito mais do que Delta-9-tetrahidrocanabinol” e “Canabinóides no cancro da mama: Suscetibilidade diferencial de acordo com o subtipo” são apenas dois títulos entre mais de uma dezena de publicações científicas nas quais já colaborou. 

Apesar das dificuldades em encontrar financiamento para investigação na área da canábis e da complexidade dos processos regulamentares, que a obrigaram a abrandar um pouco a pesquisa, o fascínio pela planta e todas as possibilidades que encerra (tanto a nível medicinal como industrial) levaram-na a organizar o MULTICANNA26.

Com este Congresso, Cristina espera poder contribuir para “consolidar o debate científico e aprofundar a compreensão global sobre a Cannabis sativa, o seu real impacto na sociedade, na ciência, na agricultura e na economia”. 

Qual foi a principal razão que levou à realização de um evento como este?

O Congresso MULTICANNA26 – “Cannabis sativa: uma abordagem multidisciplinar” surge da crescente relevância científica, tecnológica e económica da canábis para fins medicinais e do cânhamo industrial, tanto em Portugal como a nível internacional. Apesar da evolução do setor, continua a existir necessidade de promover um espaço de debate informado, baseado no rigor, na experiência técnica e na evidência científica, que reúna diferentes áreas do conhecimento e integre diferentes perspectivas da planta Cannabis sativa L. Neste contexto, foi concebido com o objetivo de criar uma plataforma multidisciplinar que permita aproximar a academia, a indústria, os profissionais de saúde e as entidades reguladoras, contribuindo para uma melhor compreensão do potencial e dos desafios associados a esta fileira. Pretende-se, assim, consolidar o debate científico e aprofundar a compreensão global sobre a Cannabis, o seu real impacto na sociedade, na ciência, na agricultura e na economia. A realização do congresso no IPV em Viseu também é uma aposta estratégica na valorização e divulgação do interior, promovendo a sua dinamização e a criação de redes colaborativas qualificadas. A ESAV tem vindo a afirmar-se através de uma clara aposta na inovação tecnológica e na qualificação avançada, designadamente pela oferta da Licenciatura em Biotecnologia e Engenharia Agronómica e do Mestrado em Biotecnologia Industrial e Engenharia Agronómica. Mas o congresso, na verdade, resulta de uma colaboração entre docentes e investigadores da Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) do Instituto Politécnico de Viseu (IPV), da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL), reunindo competências científicas complementares com o objetivo de promover um evento assente no rigor técnico e científico. 

A investigadora Cristina Amaral é uma das principais organizadoras do MULTICANNA26, que se realiza hoje, 16 de Abril, em Viseu

O que é que os participantes podem esperar do MULTICANNA26?

Ao longo de um único dia e num mesmo espaço de partilha de conhecimento, serão abordadas diversas temáticas, desde a produção e regulamentação, ao controlo e manipulação até às aplicações biotecnológicas, terapêuticas e farmacológicas, bem como à avaliação da sua potencial toxicidade – visando ser um congresso multidisciplinar na promoção e divulgação do conhecimento científico e do networking entre academia, indústria e profissionais do setor. Temos um painel de palestrantes de excelência e com reconhecido mérito nacional e internacional, incluindo investigadores, profissionais do setor e representantes de entidades reguladoras, como o Infarmed, a Direção Geral de Agricultura e Veterinária (DGAV), a Ordem dos Farmacêuticos (OF) e o Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD).

O que esperam, então, que possa resultar deste encontro?

Considerando a relevância estratégica do cânhamo para a agricultura portuguesa, a ESAV tem condições ímpares a nível científico, técnico e formativo, para contribuir para a consolidação deste setor como um cluster gerador de elevado valor acrescentado, com impacto na diversificação dos sistemas produtivos e no desenvolvimento de soluções biotecnológicas e farmacêuticas inovadoras. Neste contexto, a presença do Secretário de Estado da Agricultura, Eng.º João Moura, para além de valorizar institucionalmente o evento, constitui uma oportunidade única para a reflexão sobre políticas públicas e estratégias de desenvolvimento para o setor. Assim, esperamos, acima de tudo, fomentar a partilha de conhecimento técnico e científico e promover uma reflexão crítica e informada, estimulando a criação de redes de colaboração entre investigadores, empresas e entidades públicas, e potenciando ainda sinergias que contribuam para a inovação e o desenvolvimento sustentável da fileira. Paralelamente, o congresso visa clarificar conceitos, desmistificar ideias preconcebidas e reforçar a importância de uma abordagem baseada em evidência científica, contribuindo para o avanço do conhecimento e diversificação das cadeias de valor.

Qual é a situação atual da investigação com canábis em Portugal?

A investigação em canábis em Portugal tem vindo a evoluir de forma gradual, acompanhando o enquadramento legal estabelecido nos últimos anos. Existem já vários projetos e linhas de investigação em curso, nas áreas da agronomia, biotecnologia, farmacologia e ciências da saúde. No entanto, continua a ser um campo relativamente recente e em desenvolvimento, que necessita de maior consolidação, investimento e articulação entre instituições. O potencial científico é significativo, mas existe ainda margem para crescimento, sobretudo ao nível da investigação aplicada e da transferência de conhecimento para o setor produtivo. Portugal dispõe de competências científicas reconhecidas internacionalmente, com grupos de investigação e unidades de I&D com elevada experiência nesta área, contudo, é fundamental reforçar sinergias entre as diversas instituições académicas e a indústria, para em conjunto promover uma maior integração do conhecimento científico na inovação e desenvolvimento do setor. 

Quais os maiores obstáculos à investigação com canábis e o que acha que se poderia melhorar?

Entre os principais obstáculos destacam-se a complexidade dos processos regulamentares, que podem dificultar o desenvolvimento de projetos de investigação, bem como a ainda limitada disponibilidade de financiamento específico para esta área. Acresce a necessidade de maior articulação entre os diferentes intervenientes, desde a academia às entidades reguladoras e à indústria. Neste sentido, o investimento contínuo em investigação, a valorização das competências existentes e dos anos de trabalho científico desenvolvidos por diferentes grupos, bem como o reforço da colaboração entre os diferentes agentes serão determinantes para impulsionar a geração de conhecimento, a inovação e o desenvolvimento sustentado e competitivo desta fileira em Portugal. Para o futuro, será importante promover um enquadramento mais ágil e claro para a investigação, reforçar o investimento em ciência e inovação e incentivar a criação de redes colaborativas. A aposta na formação especializada e na divulgação de conhecimento técnico e científico será igualmente fundamental para garantir rigor, criação de valor e um desenvolvimento responsável do setor em Portugal.

 

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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]

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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.

Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.

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