Ciência
Alemanha: Estudo in vitro demonstra eficácia do CBG e do CBC no cancro do pulmão
Um novo estudo científico do Instituto de Farmacologia e Toxicologia do Centro Médico da Universidade de Rostock, na Alemanha, revelou que o CBG (canabigerol) e do CBC (canabicromeno), dois fitocanabinóides “menores”, induzem a morte programada de células e disfunção mitocondrial em linhagens in vitro de cancro do pulmão humano. A descoberta destaca o CBG como uma promessa terapêutica, superando o CBC na capacidade de inibir a respiração celular dos tumores.
O estudo “O canabigerol e o canabicromeno induzem morte celular e apoptose em células de cancro do pulmão — Contribuição do PPARα para os efeitos do Canabigerol”, realizado por uma equipa de investigação do Instituto de Farmacologia e Toxicologia do Centro Médico da Universidade de Rostock, na Alemanha, demonstrou a eficácia destes dois canabinóides na redução da viabilidade tumoral no cancro do pulmão in vitro.
Os resultados foram particularmente eficazes com o CBG nas linhagens celulares A549 e H460, que apresentou efeitos mais intensos do que o CBC na redução da viabilidade das células cancerígenas.
A investigação demonstrou que o CBG atua através PPARα para promover a apoptose (morte celular). O PPARα (recetor α ativado por proliferador de peroxissoma) é um mediador crítico da morte celular e da apoptose no combate ao cancro do pulmão particularmente quando ativado por compostos específicos como o fitocanabinóide Canabigerol (CBG).
Para a realização deste estudo, a equipa de cientistas recorreu a células A549 e H460 “cultivadas em meio DMEM suplementado”. Os ensaios foram realizados utilizando meio serum-free para a incubação com as substâncias de teste (CBG, CBC e vários antagonistas), impedindo que os solventes DMSO ou etanol excedessem concentrações passíveis de afectar a viabilidade basal.
A sobrevivência celular foi determinada através da coloração com cristal violeta para avaliar células aderentes viáveis; a atividade metabólica foi avaliada através do teste MTT, que mede a redução do corante Tetrazólio por células metabolicamente ativas; e a capacidade de formação de colónias cancerígenas foi realizada com ensaios de formação de colónias durante 7 dias, para avaliar a sobrevivência a longo prazo.
Para analisar a apoptose, a autofagia (processo de degradação/regeneração natural da célula) e o ciclo celular, usaram a citometria de fluxo de modo a distinguirem entre células vivas, em apoptose inicial ou tardia, e mortas. Para os ensaios de caspases (medição da atividade das caspases-3/7, 8 e 9) foi usada a luminescência, e o ciclo celular foi medido a partir da percentagem de células nas fases G0/G1, S e G2/M. A equipa recorreu ainda a marcadores proteicos (Western Blot), para analisar a expressão e clivagem de proteínas como ATF4, PARP, LC3-II (marcador de autofagia) e o fluxo de citocromo C mitocondrial para o Citosol.
Quanto à função mitocondrial, recorreu-se à avaliação do superóxido mitocondrial (sonda MitoSOX Red), do potencial de membrana (ensaio JC-10), da taxa de consumo de oxigénio (OCR) usando o Seahorse XFe para quantificar a respiração basal, a produção de ATP e a capacidade de reserva respiratória; assim como à medição das proteínas da cadeia respiratória analisando subunidades específicas (como a NDUFB8 do Complexo I) em mitocôndrias isoladas.
Para identificar os recetores envolvidos, os investigadores utilizaram antagonistas específicos dos recetores (AM251 para CB1, AM630 para CB2, GW6471 e o altamente selectivo NXT629 para PPARα, entre outros); e a expressão génica foi verificada via qRT-PCR para monitorizar os níveis de mRNA do receptor PPARα.
Para observar alterações morfológicas directas nas mitocôndrias e a formação de autofagossomas, foi usada a Microscopia Electrónica de Transmissão (TEM).
Futuro do desenvolvimento Terapêutico
Estes dois canabinóides não-psicoativos, considerados “menores” por serem produzidos pela planta em menor quantidade do que o THC e o CBD, ainda estão pouco estudados mas têm vindo a ser alvo de interesse crescente por parte da comunidade científica, não só pelas suas propriedades particulares, mas também pelo seu papel no chamado “efeito comitiva” em que se verifica que os canabinóides funcionam melhor juntos, ou em sinergia, do que isolados.
Este é mais um estudo que traz à luz o potencial terapêutico destas moléculas, permitindo antever novas descobertas no futuro, quando tivermos identificado, estudado e testado os mais de 500 compostos químicos que a canábis produz – entre os quais mais de 100 canabinóides.
De acordo com a conclusão deste último estudo, tanto o CBC como o CBG “demonstraram induzir efeitos pró-apoptóticos pronunciados e disfunção mitocondrial nas linhagens celulares de cancro do pulmão humano A549 e H460”. Os investigadores especificam porém que “o CBG atua através do fator de transcrição PPARα para promover a morte celular apoptótica” e que, “notavelmente, o CBG exerceu efeitos mais fortes do que o CBC em relação à redução da viabilidade celular e à inibição da respiração mitocondrial, sugerindo uma maior relevância translacional para o desenvolvimento terapêutico.”
Fica assim aberto um novo caminho de investigação para o desenvolvimento de fármacos oncológicos para estes tipos de cancro, trazendo uma esperança renovada para os médicos, familiares e doentes, cuja expectativa de vida é de cerca de cinco anos, se detetado numa fase inicial.
Apesar de ter ficado demonstrada a relevância destes dois canabinóides para o tratamento de cancro pulmonar, os investigadores sublinham que a participação do PPARα na citotoxicidade usando CBG justifica ainda uma investigação mais exaustiva em modelos pré-clínicos e também noutros tipos de tumores.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.
Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.




