Internacional
Americans for Safe Access defendem integração do Sistema Endocanabinóide no currículo nacional
A coligação Americans for Safe Access (ASA) publicou hoje uma carta aberta dirigida a Robert F. Kennedy Jr., diretor do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos e às escolas de medicina, apelando à integração do Sistema Endocanabinóide no programa de uma nova iniciativa nacional para a educação nutricional e médica que o Governo está a implementar. A organização, que reúne cientistas e médicos, argumenta que a inclusão deste sistema fisiológico é um elo essencial para compreender a relação entre nutrição e doenças crónicas, garantindo que os futuros profissionais de saúde estejam preparados para oferecer um cuidado informado aos milhões de americanos que já utilizam a canábis para fins terapêuticos.
A coligação Americans for Safe Access (ASA), uma organização formada por cientistas, médicos, educadores, defensores dos doentes e organizações de saúde norte-americanas, publicou hoje uma carta aberta dirigida a Robert F. Kennedy Jr., diretor do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS), com recomendações e orientações práticas, apelando à integração do Sistema Endocanabinóide (SE) no programa “Advancing Nutrition Education Across the Medical Continuum” (Avançando a educação nutricional ao longo de toda a cadeia médica), uma nova iniciativa de educação nutricional e clínica que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (Department of Health and Human Services, ou HHS nas suas siglas em inglês) está a implementar.
O objetivo deste programa é, de acordo com o press release, “abordar a desconexão entre o papel que a nutrição desempenha nas condições crónicas e as limitações na formação nutricional que os médicos tradicionalmente recebem”. O mesmo conta com o envolvimento de 76 instituições em 36 estados, calculando-se que possa chegar a 52 mil estudantes de medicina, que irão beneficiar do novo programa de expansão da educação nutricional a partir deste outono.
Mas para a ASA, esta iniciativa exclui “um importante elo de ligação fisiológica” entre a nutrição e o seu efeito nas doenças crónicas e, nomeadamente, na dor crónica – o Sistema Endocanabinóide. E as orientações que a coligação apresenta “mostram aos educadores médicos como resolver esta lacuna”.
Para Steph Sherer, fundador e presidente da ASA, “o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) está a reforçar a educação nutricional porque as doenças crónicas estão a ter um enorme impacto nos doentes e no sistema de saúde.” Todavia, defende este representante dos doentes que utilizam canábis, “para que os futuros médicos compreendam como a nutrição afeta as doenças crónicas, também precisam da base fisiológica que ajuda a explicar esta relação”, conclui, justificando que “não estamos a pedir às escolas que criem um curso sobre canábis; estamos a pedir-lhes que ensinem a fisiologia”.

O papel “central” do Sistema Endocanabinóide
“O sistema endocanabinoide (SEC) desempenha um papel central na manutenção da homeostase em múltiplos sistemas do organismo e influencia a função imunitária, a sinalização da dor, o humor, o sono, a adaptação ao stress e o controlo metabólico”, lê-se na carta.
“A educação sobre o SEC fornece aos médicos uma estrutura essencial para a compreensão tanto da fisiologia relacionada com a nutrição como da biologia mais ampla que fundamenta a terapêutica com canabinoides e a sinalização do SEC na saúde humana” porém, continua a missiva: “a educação sobre o sistema tem permanecido limitada, em parte porque a sua descoberta surgiu através da investigação sobre a canábis e tem sido historicamente moldada pelo estigma e pelas barreiras políticas que rodeiam este campo.”
Stephen Dahmer, médico Diretor do Centro Andrew Weil de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona e membro da ASA, explica que “ensinar sobre o Sistema Endocanabinóide vai ajudar os futuros médicos a compreender melhor um regulador-chave da fisiologia humana e a comunicar mais claramente com os milhões de americanos que utilizam canábis de uma forma ou de outra”. Para ele, “este conhecimento é enriquecedor, prático e essencial para um cuidado verdadeiramente informado” aos doentes.
Assim, as diretivas apresentadas pela ASA no âmbito desta ação têm uma base prática, adaptada ao programa que irá ser implementado nos próximos meses. “Mapeia a educação SE no Quadro de Competências Nutricionais de Educação Médica existente de 10 domínios do HHS; mostra onde a ciência do EC se pode enquadrar nos cursos existentes de nutrição, fisiologia, metabolismo e doenças crónicas; dá exemplos para a integração, utilizando estruturas de cursos das [universidades] Johns Hopkins, Stanford, Pensilvânia University, Yale e UC Berkeley, disponíveis ao público; e distingue entre o ensino do SE endógeno como fisiologia humana, e o ensino da terapêutica com canábis”, enumeram no comunicado.
Para a ASA, esta lacuna nos cursos de medicina tem “implicações imediatas” para os doentes que sofrem de dor crónica – quase um em cada quatro adultos nos EUA – e com cada vez mais pessoas a perguntarem sobre o tratamento com canábis, muitos médicos e técnicos de saúde nunca tiveram formação sobre este “sistema fisiológico endógeno com o qual os canabinóides interagem”.
Leia aqui a carta aberta na íntegra:
OPEN_LETTER_HHS_ECS_Aug_12
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.
Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.




