Internacional
EUDA: Canábis continua a ser a substância ilícita mais consumida na Europa, mas sintéticos ganham terreno
Apresentado na semana passada na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, o Relatório Europeu sobre Drogas 2026 elaborado pela Agência Europeia sobre as Drogas (EUDA) traz poucas novidades: a canábis continua a ser a droga mais consumida no continente (e no mundo), com cerca de 25 milhões de utilizadores com os padrões de utilização variáveis e com novas substâncias psicoativas criadas a partir da planta (conhecidos como canabinóides semi-sintéticos ou sintéticos); no geral, o consumo de drogas continua a aumentar embora os contextos estejam a mudar consideravelmente com a legalização da canábis em alguns países.
A Agência Europeia sobre as Drogas apresentou o seu relatório anual “European Drug Report – Trends and Developments 2026” na semana passada na Comissão Europeia, em Bruxelas, Bélgica, revelando uma paisagem complexa e em rápida evolução no que toca ao consumo de estupefacientes. O documento destaca que comparativamente a 2025, a pureza e a diversidade de produtos atingiram níveis recorde, exigindo novas estratégias de saúde pública para mitigar riscos acrescidos.
De acordo com o sumário feito pela agência, “Os inquéritos nacionais mostram que cerca de 8,7% dos adultos europeus (25 milhões de pessoas entre os 15 e os 64 anos) consumiram a droga no último ano. No entanto, tanto o nível de utilização como as tendências de utilização nos dados nacionais parecem ser heterogéneas. À medida que alguns Estados-Membros da UE modificam a sua abordagem regulamentar em relação à canábis e os mercados e padrões de consumo continuam a evoluir, é necessário estar atento para compreender a prevalência e os padrões de utilização da canábis.”
Como explicam na página da Internet dedicada a este último report, “O Relatório Europeu sobre Drogas 2026: Tendências e Desenvolvimentos apresenta a análise mais recente da EUDA sobre a situação das drogas na Europa. Com foco no consumo de drogas ilícitas, nos danos associados e no fornecimento de drogas, o relatório fornece um conjunto abrangente de dados nacionais sobre estes temas, bem como sobre o tratamento especializado para a toxicodependência e as principais intervenções de redução de danos.”
A canábis continua proibida, os sintéticos tornam-se uma presença consolidada e perigosa
O relatório de 2026 sublinha que a canábis permanece a substância ilícita mais consumida na União Europeia. No entanto, o mercado de 2026 distingue-se do de 2025 pelo aumento significativo na disponibilidade de extratos e produtos comestíveis de alta potência. Enquanto o relatório do ano passado focava na estabilização do consumo pós-pandemia, os dados atuais mostram uma sofisticação maior das redes de tráfico, que agora utilizam métodos de produção mais localizados e tecnologicamente avançados.
Outro ponto crítico é a monitorização dos canabinoides sintéticos. Se em 2025 estes eram vistos como uma ameaça emergente, em 2026 a EUDA identifica-os como uma presença consolidada e perigosa, muitas vezes vendidos de forma enganosa como canábis natural. Esta tendência tem levado a um aumento das admissões hospitalares por episódios psicóticos, um indicador que cresceu face ao período homólogo de 2025. Estes novos produtos inserem-se num mercado de drogas em rápida evolução, que cria novos riscos para a saúde dos consumidores europeus como, de resto, já tinham alertado no ano passado.
O relatório analisa ainda o impacto das políticas de legalização em curso em vários Estados-Membros. A EUDA observa que a fronteira entre o mercado medicinal e recreativo está cada vez mais ténue, instando os governos a harmonizar os sistemas de vigilância. O foco para o restante ano de 2026, de acordo com esta agência, deve ser a redução de danos, especialmente junto da população jovem, que continua a ser a mais exposta a estas novas dinâmicas de mercado.
Este relatório, segundo dizem, serve de base para o desenvolvimento de políticas públicas e para o apoio a profissionais que trabalham nas respostas sociais e de saúde ao fenómeno das drogas na Europa.
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[Aviso: Por favor, tenha em atenção que este texto foi originalmente escrito em Português e é traduzido para inglês e outros idiomas através de um tradutor automático. Algumas palavras podem diferir do original e podem verificar-se gralhas ou erros noutras línguas.]____________________________________________________________________________________________________
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Margarita é colaboradora permanente do CannaReporter desde a sua criação, em 2017, tendo antes colaborado com outros meios de comunicação especializados em canábis, como a revista Cáñamo (Espanha), a CannaDouro Magazine (Portugal) ou a Cannapress. Fez parte da equipa original da edição da Cânhamo portuguesa, no início dos anos 2000, e da organização da Marcha Global da Marijuana em Portugal entre 2007 e 2009.
Recentemente, publicou o livro “Canábis | Maldita e Maravilhosa” (Ed. Oficina do Livro / LeYA, 2024), dedicado a difundir a história da planta, a sua relação ancestral com o Ser Humano como matéria prima, enteógeno e droga recreativa, assim como o potencial infinito que ela guarda em termos medicinais, industriais e ambientais.




